Brasil amplia força-tarefa e envia segundo grupo de bombeiros paulistas e mineiros para resgates na Venezuela

  • por Redação
  • Monday, 29 de June de 2026
Novo contingente de especialistas de São Paulo e Minas Gerais reforça as buscas por sobreviventes após terremotos devastadores no país vizinho.(Foto: Bombeiros/SP)

 

O governo brasileiro autorizou o envio de um novo contingente de especialistas para reforçar a missão humanitária na Venezuela, atingida por dois fortes terremotos sequenciais de magnitude 7,2 e 7,5 na última semana.

A decisão foi formalizada por decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União, estabelecendo o emprego de mais 35 profissionais dos corpos de bombeiros de São Paulo e de Minas Gerais no período de 28 de junho a 13 de julho.

A força-tarefa tem como objetivo acelerar a localização de vítimas sob os escombros e dar suporte operacional às equipes brasileiras que já trabalham nas frentes de colapso estrutural, principalmente no estado de La Guaira e na capital, Caracas.

O novo grupo é composto por 17 integrantes do Corpo de Bombeiros de São Paulo, incluindo um especialista da Defesa Civil Estadual, e 18 militares do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. Conhecidos pela alta capacitação técnica, os militares mineiros viajam acompanhados pelos cães farejadores Argos e Santo, especializados em encontrar sobreviventes em cenários de desastres.

O embarque ocorreu a partir da Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, sob a coordenação do Ministério das Relações Exteriores, por meio da Agência Brasileira de Cooperação, e com apoio de aeronaves da Força Aérea Brasileira.

Para viabilizar todo o transporte de pessoal e insumos, a operação logística federal mobilizou o envio de outros dois voos da aeronave cargueira KC-390, totalizando até o momento quatro voos militares direcionados à assistência humanitária desde o início da crise.

Cada trecho de São Paulo até o território venezuelano exige cerca de cinco horas e meia de voo direto, fazendo com que os aviões da Força Aérea Brasileira acumulem mais de 22 horas de voo somente nas missões de ida para o descarregamento de suprimentos e equipes.

Este reforço se unirá à primeira comitiva enviada pelo Brasil, que contava com 44 profissionais de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações e da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil.

Para assegurar total autonomia e não sobrecarregar os recursos locais da Venezuela, o novo grupo transportou geradores de energia elétrica, sistemas de comunicação de internet via satélite e mantimentos logísticos. O envio atual também contempla insumos médicos e medicamentos de alta necessidade para as equipes locais de saúde.

O esforço humanitário brasileiro soma mais de 45 toneladas de ajuda material despachada ao país vizinho por meio dessa ponte aérea. Nos primeiros voos, as aeronaves transportaram cerca de 25 toneladas de donativos prioritários, incluindo mil barracas de acampamento para desabrigados, três mil cobertores, kits de higiene básica e cestas de alimentos não perecíveis.

Junto à nova delegação de bombeiros e impulsionado pelas duas novas decolagens do KC-390, o governo federal encaminhou outras 20 toneladas de ajuda pesada, que englobam purificadores de água movidos a energia solar com capacidade de atendimento comunitário e toda a infraestrutura física para a montagem de um hospital de campanha.

A mobilização internacional ocorre em um momento crítico, onde o balanço oficial mais recente das autoridades venezuelanas aponta 1.450 mortes confirmadas e 3.150 feridos atendidos pelos serviços de saúde.

Além disso, agências da Organização das Nações Unidas alertam que o número de desaparecidos em todo o país já ultrapassa a marca de 50 mil pessoas.

Nas áreas devastadas, mais de 2.600 socorristas de delegações internacionais correm contra o relógio em uma busca incansável por sobreviventes, enfrentando réplicas sísmicas contínuas e o desafio de inspecionar 774 edifícios gravemente comprometidos.

Em relação aos cidadãos brasileiros afetados, a Força Aérea Brasileira concluiu com sucesso o resgate de 13 brasileiros que se encontravam em trânsito pela Venezuela. Eles haviam procurado abrigo na Embaixada do Brasil em Caracas de forma emergencial devido ao fechamento do aeroporto comercial local e foram repatriados aproveitando os voos de retorno dos cargueiros KC-390.

No entanto, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que o brasileiro Romildo de Souza está entre as vítimas fatais da tragédia. Ele e a modelo brasiliense Vanessa Zacarias chegaram a ser retirados com vida dos escombros pelas equipes de socorro locais após o desabamento do edifício onde estavam, mas Romildo não resistiu aos ferimentos graves e faleceu pouco após o resgate. Já Vanessa permanece internada sob observação médica em uma unidade de saúde em Caracas e seu quadro é considerado estável.

As autoridades brasileiras continuam monitorando de perto o desdobramento da crise. Canais de atendimento consular e suporte para familiares que buscam informações sobre parentes na região afetada continuam permanentemente disponíveis por meio dos plantões oficiais do Ministério das Relações Exteriores e da embaixada local.

O governo federal também ativou um comitê interno de crise para agilizar o suporte psicológico e social aos parentes das vítimas no Brasil, estruturando uma rede assistencial integrada pelos ministérios competentes para garantir o acolhimento dessas famílias durante os trâmites de repatriação e acompanhamento médico dos sobreviventes.

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