Senado impõe derrota ao governo e Messias é o primeiro candidato ao STF barrado na história da corte

  • por Redação
  • Wednesday, 29 de April de 2026
Pela primeira vez um candidato foi rejeitado e mostrou que o governo mais uma rejeição, agora no Senado (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

 

O plenário do Senado Federal impôs, nesta quarta-feira (29), uma derrota sem precedentes ao Palácio do Planalto ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em uma votação secreta marcada por tensões e forte articulação da oposição, o atual Advogado-Geral da União (AGU) obteve apenas 34 votos favoráveis, ficando sete abaixo do mínimo necessário para a aprovação. Ao todo, 42 senadores votaram contra a escolha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O resultado é um marco histórico para a política brasileira, sendo a primeira vez que o Senado rejeita um indicado à Suprema Corte desde 1894, no governo de Floriano Peixoto. A derrota de Messias ocorre após ele ter aguardado 150 dias pela sabatina, em um processo que expôs as fissuras na base aliada e as dificuldades de articulação política do governo federal no Legislativo.

A rejeição foi consolidada por uma combinação de fatores técnicos e políticos. Durante as oito horas de sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias foi duramente questionado sobre sua imparcialidade, com parlamentares da oposição alegando que sua proximidade com o Partido dos Trabalhadores comprometeria a independência necessária para o cargo.

Além disso, a falta de um apoio explícito de lideranças influentes, como o senador Davi Alcolumbre, e o descontentamento de setores do "Centrão" com o Palácio do Planalto foram decisivos para o placar negativo no plenário.

Nos bastidores, a votação foi interpretada como um teste de força do Senado contra o Executivo. Mesmo com o apoio público do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco, a estratégia de Messias de prometer "autocontenção" judicial não foi suficiente para reverter a resistência dos parlamentares.

O governo agora enfrenta o desafio de buscar um novo nome que possua maior trânsito político e perfil técnico para ocupar a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, evitando assim um novo revés que aprofunde a crise entre os Poderes.

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