Gaeco deflagra "Operação Infiltrados" contra agentes públicos suspeitos de atuar para o PCC

  • por Redação
  • Tuesday, 09 de June de 2026
Força-tarefa cumpriu 13 mandados, prendeu ex-chefe da Dise de Campinas, ex-estagiário do MP e apreendeu vídeos que comprovam reuniões com a facção.(Foto: Divulgação/1°Baep)


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), braço do Ministério Público de São Paulo, deflagrou na manhã desta terça-feira (09), uma ofensiva para desarticular a infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas do próprio Estado.

Denominada Operação Infiltrados, a ação mobilizou órgãos de segurança no interior paulista para cumprir 13 mandados judiciais, sendo dez de busca e apreensão e três de prisão temporária.

A ofensiva mirou uma rede especializada em corrupção, violação de sigilo funcional e extorsão de grandes traficantes.

Entre os detidos estão o ex-chefe de investigadores da Polícia Civil Maurício Aparecido de Oliveira, o ex-estagiário do Ministério Público Gabriel Lira de Jesus e um ex-policial civil que já havia sido expulso da corporação por extorsão mediante sequestro.

As diligências ocorreram de forma simultânea nas cidades de Campinas e Cardoso, mobilizando dezenas de agentes estaduais.

A operação contou com o apoio operacional de policiais do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) da Polícia Militar, além de equipes das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal.

Toda a movimentação tática foi acompanhada de perto pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) devido ao cumprimento de ordens de busca em um escritório de advocacia da região, local onde o ex-estagiário passou a atuar após se desligar do Ministério Público.

O principal foco da investigação do Ministério Público de São Paulo apura o vazamento de informações sigilosas sobre um atentado planejado pela facção contra o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

Como parte do material apreendido, o Gaeco obteve vídeos que registram encontros secretos entre o chefe de investigadores preso, Maurício Aparecido de Oliveira, e um empresário acusado de ser o executor do plano de assassinato contra o promotor.

As gravações revelam que as reuniões clandestinas aconteceram exatamente uma semana antes de uma grande investida policial realizada em agosto de 2025, o que levanta a forte suspeita de repasse de dados privilegiados para blindar os criminosos.

Paralelamente, a força-tarefa reuniu provas telemáticas de um balcão de extorsão digital operado pelo ex-estagiário Gabriel Lira de Jesus, que havia se infiltrado propositalmente em uma Promotoria Criminal de Campinas para mapear alvos.

Com credenciais do órgão, ele identificava integrantes do PCC com alto poder econômico e passava a exigir até R$ 500 mil em troca de suposta proteção legal ou facilitação em inquéritos.

O Gaeco constatou que as mensagens de chantagem eram enviadas utilizando a infraestrutura de internet do escritório de advocacia.

O esquema contava ainda com a colaboração do ex-policial civil e de um policial penal para fazer a intermediação física e a pressão contra os criminosos extorquidos.

Todo o material eletrônico recolhido, incluindo celulares, computadores e documentos, passará por perícia técnica especializada promovida pelo Instituto de Criminalística. O Ministério Público informou que os dados coletados servirão para robustecer os inquéritos e fundamentar as denúncias criminais formais junto ao Juízo de Garantias de Campinas.

Em nota, a instituição ressaltou que a atuação conjunta das corregedorias e das forças policiais reforça o compromisso do Estado em realizar a depuração de seus próprios quadros, garantindo a integridade, a eficiência e a total transparência das instituições públicas diante da sociedade.

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