Tempestade destrói hospitais, delegacias e paralisa Ribeirão Preto (SP)

  • por Redação
  • Friday, 24 de July de 2026
Prefeitura decreta calamidade pública após forte chuva mobilizar Corpo de Bombeiros para centenas de resgates e acionar plano de emergência do governador do Estado. (Foto: Divulgação)

 

Ribeirão Preto no interior de São Paulo vive um cenário de grave crise após um temporal devastador atingir a cidade na madrugada desta sexta-feira (24). 

A força da chuva, que acumulou um volume expressivo de água em apenas vinte minutos, veio acompanhada de ventos violentos e provocou a morte de um idoso de 82 anos, atingido pelo desabamento de uma estrutura no bairro Jardim Salgado.

O Corpo de Bombeiros registrou uma mobilização histórica, atendendo rapidamente a mais de 300 chamados de socorro em poucas horas, concentrados principalmente no resgate de feridos e na retirada de árvores caídas.

Diante dos severos prejuízos, o prefeito Ricardo Silva instalou um gabinete de crise imediato e decretou situação de emergência e estado de calamidade pública por 180 dias, suspendendo licitações para acelerar as compras de insumos e assistência à população.

A tempestade causou um apagão generalizado que deixou mais de metade do município no escuro e comprometeu as estruturas das forças de segurança da cidade.

Vistorias da Defesa Civil apontaram destelhamentos e queda de muros na Central de Polícia Judiciária e em delegacias de bairro, o que obrigou os policiais civis a improvisarem os atendimentos de plantão.

O batalhão da Polícia Militar também sofreu danos materiais severos na cobertura e nas redes de comunicação, fazendo com que as viaturas passassem a patrulhar as ruas com foco no apoio aos resgates e no isolamento de áreas de risco.

A força das rajadas de vento derrubou dezenas de torres de transmissão de alta tensão e desarmou três grandes subestações da companhia elétrica. Como reflexo direto, as bombas de abastecimento pararam, interrompendo o fornecimento de água na maior parte dos bairros.

Para atenuar o colapso, a prefeitura começou a distribuir geradores móveis em áreas críticas para restabelecer os serviços prioritários. A comunicação também sofreu um apagão, deixando moradores isolados e sem sinal de internet ou telefonia celular.

Nas ruas, a agência de trânsito municipal e a Guarda Civil Metropolitana interditaram grandes avenidas totalmente bloqueadas e monitoram mais de 50 cruzamentos que ficaram com os semáforos apagados.

O setor de saúde, o comércio e os serviços públicos enfrentam os maiores reflexos do desastre devido aos severos estragos estruturais em diversos pontos da cidade.

A Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas, localizada no centro, sofreu a queda de parte do teto e precisou ser completamente interditada pelo município para a entrada de novos pacientes, deixando a cidade com apenas 13 leitos públicos de urgência em funcionamento nas primeiras horas do dia.

Outros hospitais de grande porte, como a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Santa Lydia, operam no limite com o auxílio de geradores de energia. Até o Poupatempo e agências bancárias centrais tiveram suas atividades suspensas devido a alagamentos internos e falta de sistema.

A destruição também atingiu o comércio local, com o desabamento total da fachada e do teto de um tradicional posto de combustíveis no cruzamento das avenidas Independência e Nove de Julho.

Grandes redes de supermercados na zona sul e galpões industriais instalados às margens da Rodovia Anhanguera registraram destelhamentos parciais e quebra de vidraças.

Na área educacional, a Secretaria Municipal de Educação suspendeu imediatamente as aulas presenciais devido a avarias severas nos telhados de dezenas de escolas da rede municipal e abriu as quadras de unidades que permaneceram seguras para servir de alojamento temporário às famílias que perderam suas casas.

O programa estadual Bom Prato também teve suas atividades suspensas até que as condições de luz e acesso sejam normalizadas. O governador do Estado, Tarcísio de Freitas, declarou prioridade total no atendimento às vítimas e ativou um comitê estadual de apoio.

Por ordem direta do governador, três equipes especializadas da Defesa Civil do Estado foram deslocadas para a região para coordenar a resposta rápida, enquanto o Fundo Social de São Paulo iniciou o envio imediato de ajuda humanitária com alimentos, colchões e cobertores.

O secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, viajou até Ribeirão Preto e colocou em prática um plano de contingência integrado, acionando hospitais de cidades vizinhas para absorver os casos graves e determinando o adiamento de cirurgias eletivas para não sobrecarregar o sistema de saúde local.

Embora o núcleo mais severo da chuva tenha avançado para o estado vizinho, as autoridades locais e os técnicos de limpeza urbana permanecem em regime de plantão contínuo para desobstruir as vias públicas e tentar normalizar a rotina do município ao longo do fim de semana.

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