Manifestação da esquerda na Avenida Paulista termina com depredação de estações do Metrô, denúncias de agressões e danos ao patrimônio público

  • por Redação
  • Sunday, 11 de October de 2026
Mobilização em apoio à reeleição de Lula e contra Flávio Bolsonaro foi marcada por vandalismo, tumultos e lixo espalhado pelas ruas de São Paulo. Danos em estruturas do transporte público provocaram transtornos aos passageiros e cobranças pela responsabilização dos envolvidos.(Foto: Divulgação)

 

Uma manifestação organizada por movimentos de esquerda em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou com registros de depredação, tumultos e denúncias de agressões neste domingo (11), na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Durante a mobilização, foram relatados danos em acessos de estações do Metrô, além de grande quantidade de lixo deixada na via após a dispersão do público.

O ato, denominado "Marcha pela Democracia", reuniu apoiadores do presidente, movimentos estudantis, organizações sociais e lideranças políticas ligadas à esquerda. A mobilização ocorreu durante a campanha do segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

O presidente participou do evento acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e de representantes de partidos aliados. Entre as lideranças presentes estavam o ministro Guilherme Boulos (PSOL), o ex-ministro Fernando Haddad (PT) e parlamentares da base governista.

Durante a concentração e a saída dos participantes, foram registrados episódios de vandalismo em estruturas do transporte público. Entre os locais mencionados estão as estações Consolação e Trianon-Masp, onde houve relatos de portas e grades danificadas, além de pichações.

As ocorrências provocaram dificuldades para passageiros que utilizavam a rede metroviária. Parte dos acessos precisou ser fechada temporariamente, enquanto funcionários orientavam o público a procurar entradas alternativas. Nem todas as restrições, entretanto, foram consequência de danos materiais, já que também houve medidas preventivas para controlar a circulação de pessoas.

Além dos problemas nas estações, foram divulgados relatos de violência contra pessoas que manifestaram posições políticas contrárias às dos organizadores.

A ativista Tamires Cardoso, moradora de Guarulhos, afirmou ter sido agredida após comparecer ao local acompanhada de um homem e exibir uma imagem de papelão de Flávio Bolsonaro. Segundo seu relato, ela recebeu socos e chutes, sofreu ameaças e apresentou marcas pelo corpo.

Outro episódio envolveu uma mulher que teria sido hostilizada por participantes do evento. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram momentos de discussão e a intervenção de policiais militares para evitar novos confrontos.

Também houve registro de confusão na estação Paulista, envolvendo um homem que filmava apoiadores de Lula. Agentes de segurança intervieram para controlar a situação.

Após o encerramento da mobilização, imagens mostraram copos, garrafas, embalagens e outros resíduos espalhados pela Avenida Paulista, principalmente nos pontos de maior concentração de pessoas.

De acordo com a Polícia Militar, os acessos às estações Trianon-Masp, da Linha 2-Verde, e Paulista, da Linha 4-Amarela, foram bloqueados durante a dispersão devido a ocorrências de depredação e tumulto. Na Consolação, os agentes registraram grande movimentação de passageiros e atritos envolvendo funcionários. A corporação informou que a situação foi controlada.

O Metrô de São Paulo informou que havia preparado uma operação especial para atender à demanda provocada pelo evento, com aumento da oferta de trens, reforço de funcionários e medidas para organizar o embarque e desembarque. A estação Trianon-Masp foi fechada preventivamente por volta das 12h50, diante da concentração de pessoas na região do Museu de Arte de São Paulo (Masp). A companhia orientou os passageiros a utilizar outras estações e explicou que esse tipo de procedimento também é adotado em grandes eventos para evitar superlotação e garantir a segurança.

A empresa Motiva, responsável pela Linha 4-Amarela, também justificou as restrições como parte do planejamento para controlar o fluxo de usuários. As operadoras reforçaram a estrutura de atendimento e adotaram procedimentos para reduzir riscos nas plataformas e corredores.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou neste domingo de um encontro político com Flávio Bolsonaro e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), no qual anunciou uma mobilização de apoiadores do candidato para o próximo dia 18, também na Avenida Paulista.

Em relação aos prejuízos, ainda não havia sido divulgado um levantamento financeiro oficial dos estragos. O valor necessário para reparar portas, grades, pichações e demais estruturas atingidas dependerá de uma avaliação técnica das empresas responsáveis. Sem esse levantamento, não é possível apresentar uma estimativa confiável em reais.

Os episódios também provocaram questionamentos sobre a responsabilização dos envolvidos. A destruição ou deterioração de patrimônio público pode configurar crime, e a identificação dos autores dependerá da análise de imagens, registros policiais e outros elementos reunidos durante a investigação.

A manifestação ocorreu a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Embora tenha reunido milhares de apoiadores de Lula, o evento terminou com registros de vandalismo e denúncias de violência, além de transtornos para usuários do transporte público. Ainda não havia confirmação de quantas pessoas foram detidas pelos episódios nem de quando seria concluído o levantamento dos danos materiais.

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