Morre Laura Cardoso aos 98 anos, uma das maiores atrizes da história da televisão brasileira

  • por Redação
  • Tuesday, 18 de August de 2026
Pioneira da televisão, atriz construiu carreira de mais de oito décadas, participou de mais de 100 produções e marcou gerações em novelas como “Mulheres de Areia” e “A Viagem”; despedida ocorre nesta terça-feira em São Paulo.(Foto: Divulgação)

 

A atriz Laura Cardoso, considerada uma das maiores referências da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos, na noite desta segunda-feira (17), em São Paulo. A artista faleceu em casa, onde estava acompanhada da família. Segundo familiares, a morte ocorreu por causas naturais. A confirmação foi divulgada durante a madrugada desta terça-feira (18) nas redes sociais da atriz.

Laura morreu por volta das 23h24, conforme informou seu bisneto Fernando Faria, que administrava as redes sociais da atriz e a acompanhava nos últimos anos. De acordo com ele, a veterana estava bem e morreu enquanto dormia, cercada pelas pessoas que amava.

A notícia provocou uma série de homenagens no meio artístico. No perfil oficial de Laura, a família publicou uma mensagem de despedida: “Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações.”

Nascida em São Paulo em 13 de setembro de 1927, Laura Cardoso, nome artístico de Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni, começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, contrariando inicialmente a resistência da família, iniciou sua trajetória nas radionovelas da Rádio Cosmos. Era o começo de uma carreira que atravessaria diferentes períodos da comunicação brasileira e faria da atriz testemunha e protagonista da própria história da televisão no país.

Com a chegada da televisão ao Brasil, Laura esteve entre os nomes que ajudaram a construir o novo meio. Na década de 1950, passou pelos teleteatros da TV Tupi e, em 1952, participou do programa “Tribunal do Coração”. Ao longo dos anos seguintes, trabalhou também em emissoras como Record, Excelsior, Cultura e Bandeirantes antes de consolidar uma longa trajetória na Globo.

A partir de 1981, passou a integrar produções da Globo, onde construiu alguns dos trabalhos mais conhecidos de sua carreira. Esteve em novelas como “Brilhante”, “Pão-Pão, Beijo-Beijo”, “Livre para Voar”, “Fera Radical”, “Rainha da Sucata”, “Felicidade”, “Mulheres de Areia” e “A Viagem”.

Duas personagens ficaram especialmente marcadas na memória do público: Isaura, em “Mulheres de Areia”, exibida em 1993, e Guiomar, em “A Viagem”, de 1994. Ao longo da carreira, Laura participou de mais de 100 produções e de mais de 60 novelas, tornando-se uma das atrizes com maior presença na história da teledramaturgia brasileira.

Sua atuação, porém, nunca ficou restrita à televisão. Laura também construiu uma extensa trajetória no teatro e no cinema. Participou de mais de 30 filmes, entre eles “Terra Estrangeira”, “Através da Janela”, “Copacabana” e “O Outro Lado da Rua”. Nos palcos, trabalhou com importantes diretores e conquistou dois prêmios Shell de melhor atriz.

O reconhecimento pelo conjunto de sua obra veio em diferentes momentos. Em 2002, recebeu o Troféu Mário Lago. Quatro anos depois, em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, uma das principais homenagens concedidas a personalidades que contribuíram para a cultura brasileira. Sua trajetória também reuniu outros prêmios e homenagens ao longo das décadas.

Mesmo com a idade avançada, Laura Cardoso nunca tratou a aposentadoria como uma prioridade. Continuou ligada à profissão e dizia que atuar fazia parte de sua vida. Sua última novela foi “A Dona do Pedaço”, exibida pela Globo em 2019. Ainda assim, permaneceu ligada à emissora e mantinha contrato vitalício.

Nos últimos anos, mesmo com dificuldades de locomoção, Laura continuou participando de projetos e homenagens. Em 2025, aos 97 anos, lançou o curta-metragem “Dona Rosinha”, no qual interpretou uma idosa que enfrenta o abandono familiar. No mesmo ano, recebeu uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo e participou da gravação da tradicional mensagem de fim de ano da emissora.

A gravação acabou se tornando sua última participação na televisão. Durante os trabalhos, Laura chegou a pedir ao diretor Adriano Melo para se levantar da cadeira e cantar de pé ao lado dos demais artistas. A cena tornou-se mais um registro da disposição que acompanhou a atriz durante praticamente toda a vida profissional.

A morte também mobilizou artistas que dividiram décadas de trabalho com a veterana. Tony Ramos, que conhecia Laura havia mais de 60 anos e trabalhou com ela desde os tempos da TV Tupi, definiu a atriz como uma das grandes referências da televisão brasileira e lembrou sua importância para diferentes gerações de profissionais. Os dois também contracenaram em “Caminho das Índias”.

Laura Cardoso deixa duas filhas, Fátima e Fernanda, além de netos e bisnetos. Ela era viúva do ator, diretor, roteirista e produtor Fernando Balleroni, com quem se casou em 1949.

Despedida em São Paulo

O velório de Laura Cardoso ocorre nesta terça-feira (18), no Funeral Home, localizado na Rua São Carlos do Pinhal, 376, no bairro Bela Vista, região central de São Paulo. A cerimônia começou às 8h e está prevista para terminar às 14h, reunindo familiares, amigos e colegas de profissão. A despedida foi organizada de forma reservada, sem abertura ao público.

Desde as primeiras horas da manhã, familiares e representantes do meio artístico passaram pelo local para prestar as últimas homenagens à atriz.

Até a atualização desta reportagem, fontes confiáveis consultadas confirmavam o horário e o local do velório, mas não informavam oficialmente o cemitério ou local do sepultamento. Por isso, o destino final do corpo não deve ser antecipado até que haja confirmação da família ou da organização responsável pela cerimônia.

Laura Cardoso encerra uma trajetória de mais de oito décadas que acompanhou a transformação do rádio, o nascimento e a consolidação da televisão brasileira, além de diferentes fases do teatro e do cinema nacional. Com dezenas de personagens e mais de uma centena de trabalhos, deixa um dos currículos mais extensos da dramaturgia do país e uma obra que continuará presente nas telas e na memória de diferentes gerações.

Artigos Relacionados