Operação Última Parada: Vereador do PT em SP é preso por ligação com o PCC no transporte público

  • por Redação
  • Thursday, 25 de June de 2026
Investigação aponta que parlamentar do PT atuava como controlador oculto de concessionária de ônibus que movimentou R$ 300 milhões em esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.(Foto: Câmara Municipal de São Paulo)

 

O vereador Senival Moura (PT) foi preso na manhã desta quinta-feira, (25), durante a deflagração da Operação Última Parada. A ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio do sistema de transporte público por ônibus na capital paulista.

As investigações apontam que a concessionária de ônibus Transunião operava como uma engrenagem financeira central para a ocultação de recursos ilícitos da facção criminosa. De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Senival Moura atuava como uma espécie de controlador oculto ou diretor informal da companhia.

Para esconder sua participação e o patrimônio acumulado, o parlamentar utilizava familiares, assessores e laranjas na estrutura societária da empresa. Durante as buscas em seu gabinete, escritório e residência, os agentes apreenderam diversos cheques emitidos em nome da Transunião.

O início do desmantelamento do esquema criminoso ocorreu a partir da investigação do assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, executado a tiros em março de 2020.

O homicídio motivou a abertura de novas frentes de apuração que revelaram a profundidade da infiltração do PCC nas empresas de transporte urbano. Estima-se que as fraudes financeiras e a movimentação de capitais ligadas à facção tenham somado cerca de R$ 300 milhões nos últimos anos.

Diante da gravidade das provas apresentadas, a Justiça determinou o sequestro e o bloqueio imediato de R$ 194 milhões em contas bancárias associadas aos alvos da operação.

Um dos detalhes mais impressionantes revelados pelo Ministério Público envolve o nível de subordinação do esquema ao tribunal do crime. Segundo as investigações, Senival Moura chegou a ter sua morte decretada pela cúpula do PCC após desentendimentos e suspeitas de desvios de dinheiro da própria facção.

No entanto, o parlamentar teve a execução perdoada pelos líderes criminosos devido à sua forte influência política e à sua capacidade financeira de ressarcir integralmente os prejuízos causados ao grupo. A defesa do vereador ainda não se pronunciou publicamente sobre as acusações e a prisão.

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