Polícia prende suspeitos de envolvimento em atentado contra tenente da Rota no ABC Paulista

  • por Redação
  • Monday, 29 de June de 2026
Investigação aponta monitoramento prévio e suporte logístico de facção criminosa em emboscada contra irmão de Eloá Pimentel; oficiais continuam buscas pelos executores enquanto militar luta pela vida em UTI.(Foto: Divulgação)

 

A Polícia Civil e a Polícia Militar de São Paulo prenderam temporariamente dois homens, de 40 e 52 anos, suspeitos de envolvimento no planejado atentado a tiros contra o primeiro-tenente da Rota, Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, ocorrido em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

O oficial, amplamente conhecido por ser o irmão mais velho de Eloá Pimentel — jovem assassinada em um trágico cárcere privado em 2008 —, foi alvo de uma tentativa de execução após deixar uma academia na Avenida Goiás.

A operação que resultou na captura dos suspeitos foi conduzida pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) no bairro de Guaianazes, na Zona Leste da capital paulista, após um intenso trabalho de cruzamento de dados de inteligência e análise de câmeras de monitoramento urbano.

Os trabalhos investigativos revelaram que a ação criminosa foi meticulosamente premeditada e contou com uma sofisticada rede de apoio tático ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com o inquérito, imagens de segurança registraram que o tenente Pimentel já estava sendo monitorado por um "olheiro" posicionado a pé nos arredores da academia. Assim que o policial militar iniciou suas atividades físicas, este suspeito avisou os comparsas para que organizassem o cerco técnico.

A análise detalhada das vias detectou que um automóvel Renault Logan branco escoltou a motocicleta dos executores antes e depois dos disparos. Logo em seguida, este veículo passou a trafegar de forma perfeitamente coordenada com um Fiat Palio e um Chevrolet Astra, automóveis estes que eram conduzidos pelos dois homens que acabaram detidos pela polícia.

A captura da dupla ocorreu em menos de 24 horas após o crime. Na sede do DHPP, o homem de 52 anos confessou formalmente ter prestado o suporte logístico essencial para os atiradores, enquanto o investigado de 40 anos preferiu manter-se em silêncio durante o interrogatório oficial.

Um terceiro indivíduo de 24 anos, que acompanhava os familiares, chegou a ser conduzido para esclarecimentos, mas acabou liberado por não possuir participação direta constatada na engenharia do crime, embora seu depoimento tenha ajudado a consolidar a identificação da cadeia de comando da emboscada.

A moto utilizada pelos atiradores no trânsito, que ostentava uma placa clonada e havia sido roubada na Zona Sul de São Paulo, foi localizada abandonada pelas forças de segurança na entrada da comunidade de Heliópolis, a cerca de seis quilômetros de distância do ponto exato do atentado.

O ataque brutal se materializou quando o tenente Pimentel, que estava de folga e trafegava à paisana em sua motocicleta particular, parou em um semáforo fechado da Avenida Goiás. Dois homens em outra moto emparelharam por trás e o garupa efetuou múltiplos disparos à queima-roupa na região da nuca do oficial, impossibilitando qualquer tipo de reação defensiva antes de fugirem em alta velocidade.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, manifestou profunda indignação pública e determinou prioridade absoluta na caçada humana pelos executores diretos dos tiros, que continuam foragidos e são procurados em operações ininterruptas por batalhões especializados de Choque.

O estado de saúde de Ronickson Pimentel dos Santos é considerado gravíssimo, porém estável, segundo o último boletim médico divulgado pela Polícia Militar. Após ser atingido na cabeça, o tenente recebeu os primeiros socorros de emergência do Samu e foi transportado às pressas pelo helicóptero Águia do Grupamento Aéreo até o Hospital Estadual Mário Covas, localizado na cidade vizinha de Santo André.

Na unidade médica, ele foi submetido a uma complexa e delicada cirurgia neurológica para tratamento dos danos causados pelos projéteis. O oficial encontra-se sedado, respirando com o auxílio de aparelhos e sob monitoramento neurológico contínuo e intensivo dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde a equipe médica avalia constantemente suas respostas clínicas nas horas subsequentes ao procedimento cirúrgico.

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