Câmeras corporais e acusações de agressão: as duas frentes da investigação sobre a morte de mulher ao esbarrar em viatura na Zona Leste

  • por Redação
  • Thursday, 09 de April de 2026
Caso em Cidade Tiradentes divide opiniões: enquanto PM é investigada por suposto homicídio, companheiro da vítima responde por resistência e tentativa de agressão contra os agentes.(Foto: Divulgação/PM)


A morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, ocorrida na madrugada da última sexta-feira (03) em Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, desdobrou-se em duas linhas de investigação distintas.

Enquanto a soldado Yasmin Cursino Ferreira é alvo de um inquérito por suposto homicídio após imagens de câmeras corporais confirmar a versão inicial, o companheiro de Thawanna, Luciano Gonçalves dos Santos, também passou a ser investigado pela Polícia Civil.

A Acusação contra o Casal

As imagens das câmeras de segurança e das bodycams da PM mostraram que o braço da mulher encosta no retrovisor da viatura — ponto central da discussão que deu início à abordagem —, o registro oficial da ocorrência mantém a investigação sobre a conduta de Thawanna e Luciano nos segundos que antecederam o disparo.

De acordo com o depoimento dos policiais, o casal teria reagido de forma agressiva ao serem interpelados. A soldado Yasmin relatou que, durante a tentativa de imobilização de Luciano, Thawanna teria partido para cima da guarnição com tapas e puxões, tentando impedir a ação policial. Com base nesse relato, a Polícia Civil registrou um inquérito paralelo para apurar os crimes de:

Resistência e Desobediência: Referente à postura de Luciano durante a abordagem.

Tentativa de Agressão: Focada na ação de Thawanna que, segundo a PM, teria tentado golpear a soldado antes de ser baleada.

O Conflito de Versões

As imagens das câmeras corporais, que agora são a principal prova do caso, capturam o momento de tensão. Nelas, é possível a colisão no braço de um dos dois, depois ao falar algo a viatura retorna de marcha a ré e ver Luciano questionando os policiais, em seguida, Thawanna se aproxima da soldado Yasmin ao descer da viatura.

A defesa da família de Thawanna argumenta que a aproximação da vítima foi instintiva para proteger o companheiro e que em nenhum momento houve uma ameaça real que justificasse o uso de arma de fogo.

Já a defesa da policial sustenta que a rapidez dos fatos e a suposta agressividade do casal criaram um cenário de risco iminente, levando ao disparo efetuado em apenas 36 segundos após o início da parada da viatura.

Medidas Judiciais e Afastamentos

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) analisa as duas vertentes. A soldado Yasmin foi afastada das ruas e teve sua arma apreendida para perícia.

Luciano, que sobreviveu à abordagem, deverá prestar novos depoimentos para esclarecer sua participação no conflito físico relatado pelos agentes.

Desdobramentos Finais

O caso segue sob forte monitoramento do Ministério Público (GAESP), que busca entender se houve possível excesso punível por parte da PM ou se a reação do casal configurou, de fato, um crime de resistência que escalou para a tragédia.

Thawanna, que trabalhava como atendente, deixou um filho de 5 anos e foi enterrada sob protestos da comunidade local, que clama por transparência nas investigações.

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