Entenda por que o Vale do Sinos segue em alerta para nova elevação do nível do rio e agravamento de alagamentos em São Leopoldo

  • por Redação
  • Thursday, 30 de July de 2026
Transbordamentos no Vale do Paranhana, impulsionados pelas cabeceiras em Rolante, aumentam a vazão em direção a Campo Bom e São Leopoldo, que já enfrentam inundações em áreas baixas.(Foto: Divulgação)

 

O expressivo volume de chuva registrado nos últimos dias provocou uma reação em cadeia nas bacias hidrográficas da região metropolitana, colocando as autoridades em estado de prontidão devido ao risco iminente de uma nova e mais acentuada elevação do Rio dos Sinos.

O epicentro da instabilidade recente concentrou-se no Vale do Paranhana, onde a cidade de Rolante sofreu com severas inundações provocadas pelo transbordamento do Arroio Areia, do Rio Rolante e do Rio Mascarada. Essa rápida elevação forçou a evacuação preventiva de moradores em bairros como Grassmann e Contestado.

Como as águas que afetam a região nascem justamente nas encostas da Serra do Mar e descem pelas cabeceiras do Paranhana e de Riozinho, todo esse montante líquido agora se desloca em direção aos trechos mais baixos da bacia, agravando o cenário para os municípios localizados nas partes intermediária e final do leito.

O reflexo dessa grande massa de água vinda de montante já começou a ser sentido com força em Campo Bom, onde o nível do Rio dos Sinos atingiu a marca crítica de 7,10 metros na manhã desta quinta-feira, mantendo uma tendência contínua de alta e aproximando-se rapidamente de sua cota oficial de inundação, que é de 7,20 metros.

O escoamento para essa área sofre forte influência do Rio Paranhana, que despeja suas águas diretamente no Sinos na altura de Taquara, acelerando o volume que avança pelas planícies de inundação. Moradores de áreas ribeirinhas e motoristas que trafegam por vias rurais já enfrentam os primeiros bloqueios parciais provocados pela água que começa a sair da calha principal. 

Em São Leopoldo, a situação é ainda mais complexa porque o município já se encontra tecnicamente em estágio de inundação, registrando 4,80 metros na estação instalada junto à Ponte 25 de Julho, marca que supera a cota crítica de transbordamento estipulada em 4,50 metros.

A medição atualizada mostra que o manancial continua subindo a uma taxa constante de 0,7 centímetro por hora, mantendo o nível em patamar severo de transbordamento. Ruas adjacentes ao leito, como a Rua da Praia e a Rua das Camélias, voltaram a ser tomadas pela água, forçando moradores a erguerem móveis e utilizarem embarcações improvisadas para locomoção.

O grande temor dos técnicos e da Defesa Civil estadual, que emitiu um alerta vermelho de risco muito alto para a cidade, reside no fato de que o pico da cheia originada em Rolante e nas demais cidades do Paranhana ainda não completou sua descida total até o trecho leopoldense. 

Essa onda de cheia em progressão atinge um cenário regional onde outras cidades vizinhas também já sofrem com alagamentos severos causados diretamente pelo extravasamento do Rio dos Sinos e de seus principais afluentes.

Municípios da região sofrem com inundações ativas em suas partes mais baixas, onde o avanço persistente das águas invadiu residências urbanas e cobriu extensas áreas rurais, deixando estradas secundárias completamente intrafegáveis. O comportamento do manancial nessas localidades indica um quadro de elevação contínua ou estabilidade em patamares críticos, o que desalojou famílias nesses pontos vulneráveis e forçou a contínua mobilização de equipes de resgate para a retirada de moradores ilhados, sobrecarregando o sistema de assistência social das prefeituras da região metropolitana.

Além do volume extraordinário que desce pelas cabeceiras, São Leopoldo sofre com o fenômeno do remanso, que ocorre quando o nível elevado do Rio dos Sinos impede a vazão normal de seus próprios afluentes urbanos. Arroios importantes como o Manteiga, o Cerquinha e o Gauchinho acabam completamente represados, fazendo com que a água acumule nas áreas baixas dos bairros mesmo em momentos em que a chuva local cessa.

Como o escoamento natural fica totalmente travado por essa combinação de fatores, o controle de cheias na área urbana passa a depender exclusivamente do funcionamento ininterrupto do sistema de diques e das casas de bombas.

Toda essa descarga hídrica que corta as cidades do Vale do Sinos avança em direção à Região Metropolitana e impacta diretamente o Guaíba, em Porto Alegre, que voltou a entrar em estágio de cheia. O nível do lago atingiu a marca de 2,27 metros na régua do Cais Mauá nesta quinta-feira, ultrapassando formalmente a cota de atenção estabelecida em 2 metros e mantendo uma tendência de elevação gradual de um centímetro por hora.

Embora o Serviço Geológico do Brasil descarte eventos extremos semelhantes aos anos anteriores, a prefeitura da capital trabalha com a possibilidade de o manancial atingir a cota de alerta de 2,50 metros nos próximos dias, impulsionado pela vazão sequencial dos rios Taquari, Caí, Jacuí e Sinos.

Em virtude desse cenário, a Defesa Civil estadual emitiu um alerta de risco muito alto de inundação para a Região das Ilhas e para as áreas ribeirinhas do Extremo Sul e da Zona Sul, onde o acúmulo de água já provoca os primeiros alagamentos em vias e gera forte apreensão entre os moradores locais.

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