Jovens denunciam ato pró-Lula na Unisinos, depredação do patrimônio e materiais políticos no DCE

  • por Redação
  • Tuesday, 06 de October de 2026
Grupo questiona mobilização “Unisinos com Lula” no campus de São Leopoldo e mostra folhetos de candidatos a deputado estadual e federal, imagem do vereador Anderson Etter, materiais contra a direita e pichação contra Jair Bolsonaro; Universidade afirma que não apoia candidatos nem autoriza atos de campanha eleitoral.(Foto: Divulgação)

 

Jovens que estudam na Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos) campus São Leopoldo gravaram um vídeo denunciando uma mobilização estudantil em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva. Nas imagens, o grupo mostra a divulgação de uma plenária denominada “Unisinos com Lula” e diversos materiais de conteúdo político encontrados no interior do prédio do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Conforme o material apresentado, o encontro está marcado para quinta-feira (8), às 18h30, na sede do DCE, no campus de São Leopoldo.

Durante a gravação, um dos jovens critica a realização da mobilização dentro da universidade e afirma que adotaria o mesmo posicionamento caso a iniciativa fosse promovida pela direita.

“Uma minoria de pessoas de esquerda dentro da Unisinos tentando fazer um ato a favor do Lula, sendo que aqui é uma universidade, é um lugar que, na minha opinião, não deveria ter ato político, nem da direita nem da esquerda”, afirma.

“Seja Bolsonaro ou Lula, é inadmissível lado ideológico, um movimento ideológico dentro aqui da Unisinos e de qualquer outra universidade”, acrescenta.

Além da bandeira do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), as imagens feitas no interior do prédio do DCE mostram diversos materiais de conteúdo político. Entre eles aparecem folhetos com fotografias de candidatos a deputado estadual e federal ligados à esquerda, incluindo material com referência a Rossetto, além da imagem do vereador de São Leopoldo Anderson Etter (PT).

Também aparecem materiais com os nomes de Giovani Culau e Bruna e a frase “Juntos e juntas pelo fim da escala 6x1”. Outros adesivos registrados nas imagens trazem a expressão “Antifascismo é democracia”, além de símbolos, ilustrações e outras mensagens de conteúdo político.

Um dos panfletos encontrados traz em destaque a frase “Unidade para derrotar a extrema-direita”. O mesmo material apresenta a mensagem “Faça parte do time do Lula no RS”, acompanhada de fotografias de Lula e de outros nomes políticos.

Parte dos folhetos, panfletos e adesivos aparece espalhada sobre uma mesa de sinuca dentro do prédio do DCE. Em outro momento do vídeo, diversos materiais aparecem rasgados sobre a mesma mesa, no qual os jovens removeram e jogaram no lixo.

Em outra área do prédio, as imagens mostram paredes cobertas por fotografias, escritos e intervenções. Segundo os jovens, havia no local uma pichação com a expressão “Jamais Bolsonaro”, apontada por eles como depredação do patrimônio.

Ainda durante a manifestação no vídeo, um dos jovens relatou o que o grupo afirma ter encontrado no local, citando materiais políticos, bandeira do MST, folhetos relacionados a nomes da esquerda e a pichação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os jovens também relatam que estudantes contrários à mobilização teriam sido alvo de ataques em grupos acadêmicos. Um dos casos citados seria de um grupo relacionado ao curso de Psicologia.

“Inclusive dentro de um dos grupos, que é de Psicologia, o pessoal se declarou contra esse movimento da esquerda e foram pra cima deles, palavras de ofensa e ódio”, afirmou um dos jovens.

No vídeo, ele também cita capturas de tela que, segundo o grupo, registrariam essas manifestações.

“Dentro dos grupos, que a gente recebeu print, dentro dos grupos formais da escola, de Psicologia foi uma delas, ataques contra pessoas de direita por se posicionarem lá contra esse ato”, declarou.

Um dos participantes cita ainda um estudante identificado como Gil e afirma que ele estaria se sentindo desconfortável com a situação. Segundo o relato apresentado no vídeo, não teria ocorrido anteriormente naquele espaço uma mobilização semelhante em favor de Jair Bolsonaro.

A atuação da representação estudantil também é questionada durante a gravação.

“Essa diretoria não era pra ter lado político nenhum. Eles eram pra ser neutros. Eles representam todos os alunos dessa universidade. Então isso aqui que tá acontecendo é ridículo”, afirma um dos jovens.

Em outro trecho, o participante acusa o espaço de estar sendo utilizado para promoção política. “Tá sendo usada como sede deles, do partido, pra promover ato político. Virou uma sede partidária dentro da Unisinos. Cara, isso é inadmissível”, declara.

Os participantes afirmam que a crítica não é exclusiva à esquerda e que adotariam o mesmo posicionamento caso o espaço estivesse sendo utilizado para uma mobilização política em apoio a Jair Bolsonaro.

Após a repercussão do episódio, um dos jovens afirmou ainda que o grupo estaria sendo responsabilizado pelas discussões. “Agora eles querem botar como se a gente fosse o vilão, que a gente está fazendo o ódio contra eles”, disse.

Unisinos se manifesta sobre o caso

Em nota, a Unisinos informou que respeita a liberdade de expressão e reconhece a autonomia dos estudantes e das entidades estudantis para participação na vida política. A instituição afirmou, entretanto, que não manifesta apoio a candidatos nem promove ou autoriza atos de campanha eleitoral.

“Comprometida com a democracia e o pluralismo de ideias, a Unisinos, no contexto do processo eleitoral de 2026, respeita a liberdade de expressão e reconhece a autonomia de estudantes e de entidades estudantis para se organizarem e participarem da vida política.

A Universidade, contudo, não manifesta apoio a candidatos nem promove ou autoriza atos de campanha eleitoral em favor de partidos, federações ou coligações.

Eventuais manifestações realizadas no ambiente universitário refletem unicamente as posições de seus organizadores, a quem cabe a responsabilidade por sua condução, e não representam iniciativa ou respaldo institucional.

Nos âmbitos acadêmico e administrativo, o ‘Guia de Convivência Democrática e Prevenção ao Assédio Eleitoral’ orienta a atuação de professores, técnicos administrativos e demais colaboradores.

Com essa postura, a Unisinos busca reafirmar seus valores e favorecer a convivência pautada pelo diálogo e pelo respeito à diversidade de convicções políticas”, diz a nota.

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