Enquanto Prefeitura de São Leopoldo segue mobilizada em força-tarefa após temporal, oposição leva ocorrência climática para o palanque eleitoral

  • por Redação
  • Wednesday, 23 de September de 2026
Enquanto servidores, Semae, Defesa Civil, voluntários e equipes municipais atuavam na recuperação de São Leopoldo, vereadores, ex-políticos e candidatos da oposição intensificavam vídeos e críticas nas redes sociais em meio à emergência provocada pelo vendaval.(Foto: Divulgação)

 

São Leopoldo atravessou, entre a madrugada de segunda-feira (21) e esta quarta-feira (23), uma grande operação de rápida resposta aos estragos provocados pelo vendaval e pela chuva forte que atingiram a cidade. Servidores de diferentes secretarias, equipes do Semae, Defesa Civil, Guarda Civil Municipal, profissionais da Saúde e Educação, trabalhadores terceirizados, comissionados e voluntários foram mobilizados para atender a população e recuperar os serviços atingidos.

Desde os primeiros minutos após o temporal, o prefeito Heliomar Franco acompanhou a mobilização, enquanto todas as equipes foram deslocadas para retirar árvores, galhos, telhas e outros materiais que bloqueavam ruas, prestar atendimento às famílias atingidas, distribuir lonas, verificar imóveis danificados e trabalhar na recuperação dos serviços públicos.

O temporal atingiu residências, escolas, unidades de saúde, prédios públicos, redes de energia e estruturas do próprio Semae. Mais de 1,5 mil imóveis foram afetados, segundo estimativa divulgada pela Defesa Civil na noite de terça-feira (22). Até aquele momento, mais de 114 árvores caídas já haviam sido contabilizadas, número que ainda poderia aumentar com a chegada de novas ocorrências.

A resposta começou ainda nos primeiros minutos de segunda-feira. Equipes foram deslocadas para retirar árvores e materiais que bloqueavam ruas e avenidas. Pontos como Avenida Mauá, Rua Hildebrand, entorno do Hospital Centenário, Rua Caxias do Sul, Marco Zero e Rua Frederico Wolf estiveram entre os locais que receberam trabalhos de desobstrução.

Um dos principais desafios ocorreu no sistema de água e drenagem. A falta de energia atingiu casas de bombas, enquanto árvores derrubadas pelo vento danificaram a rede de alta tensão da captação de água bruta. A sede do Semae, no Centro, também sofreu danos, com portas e janelas atingidas e destelhamento da casa de operação. Uma bomba anfíbia chegou a ser acionada enquanto as equipes trabalhavam para manter o sistema funcionando.

A recuperação avançou durante os dois primeiros dias. Na atualização da noite de terça-feira, a Prefeitura informou que todas as casas de bombas estavam novamente operando conforme a demanda. A energia da Elevatória de Água Bruta havia sido restabelecida, o bombeamento voltou a funcionar e os reservatórios começaram a recuperar seus níveis para normalização gradual do abastecimento.

Enquanto a força-tarefa permanecia nas ruas, a emergência também entrou de vez no debate eleitoral. Vereadores, ex-políticos e candidatos da oposição passaram a utilizar as redes sociais para divulgar vídeos em áreas atingidas, apresentar críticas à administração e questionar a resposta do Município ao temporal.

Em uma das situações de maior repercussão, o vereador Marcelo Pitol (PSD), candidato a deputado estadual, publicou imagens durante uma passagem por uma casa de bombas do Semae. No vídeo, Pitol aparece em uma discussão com um servidor da autarquia, em uma abordagem marcada por forte tensão e aproximação física. O episódio ocorreu durante uma discussão envolvendo o acesso à estrutura operacional.

O vereador Professor Ricardo Luz (PT) também utilizou suas redes sociais durante o período crítico. Em uma das gravações, apareceu em um ponto com acúmulo de água e fez críticas à atuação da Prefeitura e à atenção dada àquela região. A vereadora Karina Camilo (PT), por sua vez, publicou manifestações questionando a presença e a resposta do poder público, principalmente nos bairros periféricos.

O candidato a deputado estadual e ex-vereador Gabriel Dias (Podemos) também entrou no debate sobre os impactos do temporal, divulgando vídeos feitos em áreas atingidas e apresentando críticas à administração municipal.

Já o ex-prefeito de São Leopoldo e candidato a deputado federal Ary Vanazzi (PT) também utilizou as redes sociais durante a emergência. Em vídeos publicados, Vanazzi apareceu cortando uma árvore e realizando visitas a áreas atingidas pelo temporal que, naquele momento, segundo as próprias imagens e manifestações divulgadas, ainda aguardavam atendimento das equipes da Prefeitura. As publicações também passaram a integrar o embate político sobre a velocidade e o alcance da resposta do Município aos estragos deixados pelo vendaval.

A vice-prefeita e candidata a deputada federal Regina Caetano (Podemos) também publicou vídeos comentando a situação enfrentada pelo município, em um local e aspectos da resposta da administração e pedindo orações pelas famílias afetadas pelo temporal.

As publicações colocaram a resposta ao desastre no centro da disputa política em plena campanha eleitoral. Enquanto integrantes da oposição utilizavam as redes para apontar problemas e cobrar providências, a Prefeitura divulgava sucessivos boletins sobre as frentes de trabalho mobilizadas desde as primeiras horas de segunda-feira, incluindo retirada de árvores, desobstrução de vias, operação das casas de bombas, recuperação do abastecimento de água, distribuição de lonas, atendimento às famílias e reparos em escolas, unidades de saúde e outros prédios públicos.

As críticas divulgadas pelos parlamentares e candidatos representam as avaliações apresentadas por eles nas próprias redes sociais. Do outro lado, os dados divulgados pelo Município registravam uma operação que permanecia mobilizada simultaneamente em diferentes regiões da cidade. A comparação entre essas versões passou a alimentar o embate político em torno da resposta ao desastre.

Ao contrário de outros candidatos, a primeira-dama de São Leopoldo e candidata a deputada federal Simone Dutra foi a única que suspendeu sua campanha e concentrou sua atuação nas ações relacionadas às pessoas atingidas. A mobilização segue um histórico de participação dela em ações humanitárias realizadas em situações anteriores.

Em novembro de 2025, após o tornado que devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, Simone participou de uma mobilização realizada em São Leopoldo para arrecadar materiais de reconstrução e donativos. Um comboio de voluntários também foi enviado ao município paranaense. Ela também participou de mobilizações durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2023 e, principalmente, na histórica catástrofe de maio de 2024.

A distribuição de lonas tornou-se uma das principais frentes da operação desta semana. Às 14h de segunda-feira, a Prefeitura informava que 16 mil metros quadrados já haviam sido entregues às famílias. Horas depois, o volume ultrapassava 20 mil metros quadrados. Na noite de terça-feira, o total distribuído já superava 40 mil metros quadrados de lona, principalmente para moradores de Santa Tereza, Duque de Caxias e Vicentina.

A Prefeitura também realizou a aquisição de novos rolos para reforçar o estoque e manter o atendimento diante da grande procura. Voluntários foram chamados para ajudar no corte e preparação do material. Entre 8h e 18h de segunda-feira, somente a Ouvidoria recebeu 99 solicitações relacionadas ao temporal, sendo 71 pedidos de lona e 28 demandas envolvendo árvores e podas.

Diante da dimensão dos estragos, o prefeito Heliomar Franco decretou situação de emergência ainda na segunda-feira. O Decreto nº 11.460, de 21 de setembro de 2026, permite a mobilização dos órgãos municipais para ações de resposta, reabilitação e reconstrução das áreas e estruturas atingidas.

A medida também possibilita maior agilidade administrativa, dentro das regras previstas para situações emergenciais, para aquisição de materiais e contratação de serviços necessários à recuperação dos estragos. Entre as prioridades estão os reparos no Centro Administrativo, unidades básicas de saúde, escolas e demais estruturas públicas danificadas pelo vendaval.

O próprio Centro Administrativo sofreu estragos e permaneceu sem atendimento presencial na terça-feira para serviços de manutenção. A previsão anunciada pelo Município era de retomada do atendimento nesta quarta-feira (23).

Na Saúde, o impacto inicial da falta de energia comprometeu parte das unidades na segunda-feira, mas os serviços de urgência e emergência permaneceram funcionando. Na terça-feira, todas as UBSs estavam abertas. A UBS Rio dos Sinos ainda permanecia sem energia, porém mantinha os atendimentos. Centro de Saúde Feitoria, UPA Scharlau e Hospital Centenário também funcionavam normalmente.

A Educação também retomou gradualmente as atividades. Na terça-feira, 23 escolas municipais e 30 conveniadas estavam abertas. Dez municipais e 15 conveniadas permaneciam fechadas, enquanto outras unidades avaliavam danos estruturais ou aguardavam o retorno de serviços essenciais.

Na Assistência Social, CRAS, CREAS, Centro POP, Casa de Acolhimento, Conselhos Tutelares e outras estruturas enfrentaram falta de energia, internet ou danos provocados pelo temporal. Mesmo diante das limitações, equipes mantiveram serviços essenciais e os atendimentos começaram a ser retomados conforme as condições eram normalizadas.

Enquanto o embate político e a politicagem se espalhava pelas redes sociais, o trabalho sério e verdadeiro continuava nas ruas. Máquinas, caminhões e centenas de equipes seguiam retirando árvores e materiais, servidores trabalhavam na recuperação dos equipamentos públicos, profissionais do Semae atuavam no restabelecimento dos sistemas essenciais e Defesa Civil, equipes municipais e voluntários continuavam atendendo moradores.

Em menos de 48 horas, apesar da dimensão dos estragos provocados pelo vendaval, parte significativa dos serviços essenciais havia sido recuperada ou estava em processo de normalização. Nesta quarta-feira (23), os trabalhos prosseguem em diferentes pontos de São Leopoldo, tanto para concluir os atendimentos emergenciais quanto para avançar na recuperação das estruturas públicas e privadas atingidas.

Para milhares de moradores que tiveram casas destelhadas, perderam bens ou enfrentaram falta de energia, água e bloqueios de ruas, o trabalho iniciado ainda na madrugada de segunda-feira permanece longe de terminar. A prioridade segue em atender estas famílias e concluir os atendimentos pendentes, recuperar os prédios danificados e fazer São Leopoldo retornar completamente à normalidade.

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