CASO RAFAEL WINQUES: Mãe é condenada há mais de 30 anos de prisão

  • por Redação
  • Thursday, 19 de January de 2023
Sentença saiu no fim da noite desta quarta-feira, após três dias de juri na cidade de Planalto. (Foto:Divulgação/MPRS)

 

Denunciada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Alexandra Dougokenski foi condenada a 30 anos e 8 meses de prisão pelo Tribunal do Júri de Planalto, acusada de matar e ocultar o corpo do filho Rafael Winques. O julgamento terminou na noite desta quarta-feira, 18 de janeiro de 2023, depois de três dias de trabalho em plenário dos promotores de Justiça Michele Dumke Kufner, Diogo Gomes Taborda e Marcelo Tubino Vieira.

Ela foi condenada por todos os crimes pelos quais foi acusada: homicídio doloso quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, asfixia, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima) cometido contra o filho Rafael, ocultação de cadáver do filho, falsidade ideológica e fraude processual.

Os promotores de Justiça foram literalmente abraçados pela comunidade da cidade de Planalto em frente ao fórum. Michele destacou que, após 2 anos e 8 meses de processo, a sociedade teve a resposta que esperava e precisava. “Estamos felizes com o trabalho que foi feito e a sensação é de dever cumprido e missão entregue”.

Taborda complementou falando que o corpo de jurados entrou para a história: “Não somente desta cidade, mas deste Estado e deste país ao dar uma condenação exemplar para que crimes dessa natureza nunca mais ocorram”.

Tubino finalizou dizendo que a condenação de Alexandra deve trazer novamente um pouco de tranquilidade a Planalto. “Demonstramos que as forças de segurança estão sempre aptas a resolver casos difíceis como este. A cereja do bolo foi nos sentirmos, como promotores de Justiça representando a sociedade ao sermos abraçados dessa maneira”, concluiu.

O subprocurador-geral de Justiça para Assuntos Institucionais do MPRS, Júlio César de Melo, acompanhado do chefe de Gabinete da Procuradoria-Geral de Justiça, Luciano Brasil, e do secretário-executivo do Júri+, Fernando Sgarbossa, esteve em Planalto nesta quarta-feira. “Estivemos presentes no plenário de julgamento a fim de expressar nossa solidariedade à comunidade de Planalto pelo brutal crime praticado contra uma criança, por sua própria mãe, de quem se espera carinho, zelo e proteção.

O propósito também foi de reiterar o irrestrito apoio institucional aos promotores que atuam no caso, o qual foi prestado durante toda a tramitação do processo. A dedicada e competente atuação dos colegas foram determinantes para a concretização da justiça”, pontuou Júlio Melo, citando a mobilização e empenho do Núcleo de Inteligência (Nimp), Centro de Apoio Operacional Criminal e de Segurança Pública (Caocrim), Assessoria de Segurança Institucional, Júri+ e do Gabinete de Comunicação do MPRS.

RELEMBRE O CASO

O pequeno Rafael Mateus Winques, de 11 anos, estava desaparecido desde o dia 15 de maio de 2020, em Planalto. Dez dias depois, a Polícia Civil encontrou o corpo do menino em uma caixa de papelão no terreno em frente à casa em que morava com a mãe e o irmão.

A mãe Alexandra Salete Dougokenski confessou o crime em depoimento à polícia, mas inicialmente alegou se tratar de morte acidental por excesso de dosagem em um medicamento. Porém, um laudo do IGP apontou como causa da morte, asfixia mecânica por estrangulamento. Alexandra, então, mudou a versão apresentada e admitiu o crime.

O IGP realizou um trabalho de reconstituição e apontou contradições nos depoimentos. Em julho, o Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Alexandra por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual.

Em setembro, o pai, uma professora e o então namorado da mãe foram ouvidos na primeira sessão da audiência sobre o crime. A segunda foi cancelada após defesa e acusação não terem acesso aos anexos do processo. Alexandra seguia presa preventivamente desde julho.

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