Mulher suspeita de envenenamentos com arsênio é encontrada morta na cela

  • por Redação
  • Thursday, 13 de February de 2025
Deise Moura dos Anjos era nvestigada por envenenar familiares e até o próprio marido e filho. (Foto: Divulgação)

 

Deise Moura dos Anjos, a mulher suspeita de envenenar o bolo que matou três pessoas de uma mesma família, foi encontrada morta na prisão. A principal hipótese é suicídio.

Em nota, a Polícia Penal informou que, durante a conferência matinal na Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba, a presa Deise Moura dos Anjos foi encontrada sem sinais vitais.

“Imediatamente, os servidores prestaram os primeiros socorros e acionaram o Serviço de Atendimento Médico de Urgência que, ao chegar no local, constatou o óbito. Deise estava sozinha na cela. As circunstâncias serão apuradas pela Polícia Civil e pelo Instituto-Geral de Perícias”, completa a nota.

O caso

A aparente tranquilidade de uma confraternização familiar foi interrompida por um crime que chocou o país. O que era para ser um encontro festivo na véspera de Natal de 2024, transformou-se em uma tragédia com a ingestão de um bolo envenenado, resultando na morte de três pessoas e deixando outras duas hospitalizadas.

Em 23 de dezembro de 2024, Zeli dos Anjos prepara um bolo para uma confraternização familiar. As investigações indicam que a farinha utilizada no preparo, que estava contaminada com arsênio, poderia ter sido ingerida em outro evento, com as amigas de Zeli, dias antes do café da tarde em família. O evento só não aconteceu porque algumas pessoas desmarcaram, e as ausências cancelaram o encontro.

Seis pessoas da família consomem o bolo envenenado, sendo elas: Zeli, suas irmãs Neuza e Maida, sua sobrinha Tatiana, seu sobrinho-neto Matheus. Apenas Jefferson, marido de Neuza, não foi hospitalizado.

Na madrugada de 24 de dezembro, Neuza e Maida faleceram após ingerirem um bolo com arsênio, enquanto Tatiana, Matheus e Zeli foram hospitalizados em estado grave.

Em 25 de dezembro, Tatiana não resistiu e morreu. Matheus e Zeli permaneceram hospitalizados. No mesmo dia, a perícia esteve no imóvel, onde o bolo foi consumido, em uma casa em Arroio do Sal (RS), onde o alimento foi feito.

Em 3 de janeiro, Matheus, sobrinho-neto de Zeli, recebe alta do Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, em Torres (RS).

Em 5 de janeiro de 2025, Deise Moura dos Anjos foi detida preventivamente por triplo homicídio qualificado e tripla tentativa de homicídio.

Em 8 de janeiro, a polícia exumou o corpo de Paulo Luiz dos Anjos para investigar a causa de sua morte. A perícia confirmou que ele também consumiu arsênio, reforçando a suspeita de que Deise o envenenou.

Nos dias seguintes, as investigações passaram a apurar a hipótese de que Deise dos Anjos tenha tentado envenenar outras pessoas do seu convívio.

Deise Moura dos Anjos havia sido transferida para a Penitenciária Feminina de Guaíba, na Região Metropolitana. 

A transferência aconteceu por volta das 16h de quinta-feira. Agora, Deise estava em uma cela isolada na ala de triagem. Por cumprir ordem de prisão temporária, Deise não tinha autorização para receber visitas e nem de exercer mão de obra prisional. Ela tinha direito a banho de sol, também de forma individual, no pátio de outra galeria.

Não havia previsão para Deise sair do isolamento. Caso permanecesse detida por mais tempo, ou a ordem de prisão fosse convertida em preventiva, ela passaria por uma triagem de segurança.

O método é padrão na unidade e serve para traçar o perfil das detentas, tudo com o objetivo de definir para qual pavilhão elas serão realocadas no futuro. Ali, por exemplo, as presas informam se pertencem ou não a facções. A expectativa era de que Deise fosse enviada a uma galeria reservada para presas infanticidas.

Presídio de Torres alegou não ter estrutura para Deise

A unidade prisional em Guaíba já havia acatado, em 22 de janeiro, uma solicitação de vaga para Deise. O pedido foi uma iniciativa do estabelecimento penal de Torres. O juiz Jefferson Torelly Riegel havia autorizado a medida no final do mesmo mês.

No requerimento, a direção do Presídio Feminino de Torres alegou não ter estrutura física para garantir a integridade de apenadas com o perfil de Deise. Uma evidência disso é que não há alas de isolamento no lugar.

Deise era ameaçada por outras presas

Ainda conforme o registro, as outras presas em Torres demonstravam insatisfação com a presença de Deise.

“Diversas presas já relataram inconformidade com a conduta imputada a Deise, que vem sendo noticiada pela mídia. Ameaças e xingamentos ainda ocorrem pela janela da cela 01, durante o pátio de sol das presas da galeria”, diz a administração da unidade.

Os guardas do Presídio Feminino de Torres confirmaram que um dos motivos de separar Deise das demais apenadas era evitar hostilidades. Ela tinha autorização de ir ao pátio durante uma hora, todas as manhãs, mas em um turno distinto.

A avaliação dos policiais penais é que as ameaças decorriam, principalmente, do exame que detectou arsênio no filho de Deise, uma criança de 9 anos. Somado a isso, no caso do bolo, outro menino, filho de uma das vítimas, também foi contaminado com a substância. Uma investigação da Polícia Civil aponta Deise como suspeita dos envenenamentos.

"A maioria das detentas não costuma aceitar crimes que envolvem crianças", resumiu um agente penitenciário.

Artigos Relacionados