Polícia Civil do RS deflagra operação contra o crime organizado e lavagem de dinheiro

  • por Redação
  • Wednesday, 19 de April de 2023
Foram cumpridos mandados em Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Campo Bom e Charqueadas, no Rio Grande do Sul, e Itajaí, Itapema, Balneário Camboriú e Bombinhas, em Santa Catarina. (Foto: Divulgação/PC-RS)

 

A Polícia Civil deflagrou a Operação Fratelli com o objetivo de reprimir organização criminosa responsável por diversos homicídios no estado. Segundo as investigações, a organização ordenou mortes na zona sul de Porto Alegre. A operação ocorreu no início da manhã desta quarta-feira (19), quatro pessoas foram presas e aproximadamente 27 mil reais, armas, veículos e documentos falsos foram apreendidos durante a ação.

A operação interestadual, fruto de dois anos de investigação, cumpriu 173 ordens judiciais em dois estados e 10 cidades: Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, Novo Hamburgo, Campo Bom e Charqueadas, no Rio Grande do Sul, e Itajaí, Itapema, Balneário Camboriú e Bombinhas, em Santa Catarina. A investigação teve início em 2021 em virtude de um crime de homicídio tentado perpetrado pelo líder da organização criminosa contra dois indivíduos que agenciavam clientes para um escritório de advocacia.

O grupo criminoso, que tem por base o Vale dos Sinos, na região metropolitana de Porto Alegre, tem elos com facção nacional sediada em São Paulo e abastecia de drogas os bairros no extremo sul de Porto Alegre e São Leopoldo. A operação foi batizada de “Fratelli” ("irmãos" em italiano) pelo fato de os crimes serem cometidos em família por esse braço da organização criminosa.

O líder dessa célula da organização tem largo histórico de crimes: conta com 10 indiciamentos pelo crime de homicídio, 4 pelo delito de tráfico de drogas e pelo crime de participação em organização criminosa e, em 2021, foi preso em um resort na Praia do Forte (BA). Atualmente, cumpre pena na Penitenciária Modulada de Charqueadas. Em uma mensagem de texto, o indivíduo ostenta que possuiria, só em um local, mais de 30 apartamentos, fazendo isso para demonstrar seu poderio econômico.

O investigado ocultava seus ganhos ilícitos por meio de um esquema de lavagem de dinheiro que envolvia familiares, pessoas da comunidade e aquisição de automóveis e imóveis no litoral catarinense. A movimentação de recursos financeiros se dava pelo sistema bancário e em empresas de fachada. Uma das empresas suspeitas, que atuaria no ramo imobiliário, apenas entre os meses de agosto de 2020 a março de 2021, recebeu aproximadamente um milhão e trezentos mil reais em créditos. Mais da metade desse valor foi depositado por membros da facção com base no Vale dos Sinos.

Em 2022, o crime organizado teria ordenado, de forma ameaçadora e agressiva, que os moradores de uma comunidade da capital pagassem por um asfaltamento próximo aos pontos de tráfico da facção. O objetivo seria melhorar a recepção dos usuários que lá iriam de carro. O asfaltamento aconteceu e está ainda sob investigação.

A Operação Fratelli foi conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa (4ªDPHPP/DHPP) e tem o apoio da Polícia Civil de Santa Catarina, da Brigada Militar/RS e da Polícia Penal/RS.

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