Sexta-feira Santa é marcada por seis feminicídios em cidades do Rio Grande do Sul

  • por Redação
  • Saturday, 19 de April de 2025
Os casos ocorreram nos municípios de Feliz, Parobé, São Gabriel, Bento Gonçalves, Viamão e Santa Cruz do Sul..(Foto: Divulgação)

 

A sexta-feira (18) santa foi marcada por uma série de feminicídios em cidades do Rio Grande do Sul. Foram registrados ao todo seis casos em um único dia e que têm como autores, os companheiros ou ex-companheiros das vítimas. A maioria dos casos, ocorreram dentro das casas das vítimas.

O primeiro deles ocorreu por volta da 1h30min na cidade de Feliz, no Vale do Caí. O crime ocorreu no distrito de Arroio Feliz, no interior de uma moradia, às margens da ERS 452.

As vítimas foram identificadas como sendo Raíssa Müller, de 21 anos, e Éric Richard de Oliveira Turato, de 24 anos. O casal foi morto a facadas pelo ex-namorado de Raíssa, Vinicius Britz, de 27 anos, que não aceitava o fim do relacionamento.

De acordo com a Brigada Militar, o ataque ocorreu na cozinha da residência, onde os corpos foram encontrados. O autor do crime foi encontrado caído na piscina da casa, com um ferimento grave na cabeça causado por faca.

Em Parobé, no Vale do Paranhana Uma mulher de 25 anos, grávida, foi assassinada a facadas também de madrugada, A vítima foi encontrada caída na via pública com diversos ferimentos provocados por arma branca.

Moradores acionaram o 190, relatando gritos e pedidos de socorro no local. Quando os policiais militares chegaram, a mulher já estava em óbito. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, que fugiu após o ataque.

Já em São Gabriel, na fronteira oeste, uma mulher de 47 anos foi morta com golpes de faca na região do pescoço pelo ex-companheiro dentro de casa, O fato ocorreu por volta das 12h desta sexta-feira. A vítima foi encontrada morta dentro da residência, próxima à Unidade Básica de Saúde Brandão Júnior.

O suspeito do crime é um ex-companheiro da vítima, que tem 54 anos. Ele foi localizado na casa de familiares na vila Tiaraju. Com ele, a Brigada Militar encontrou ainda a arma utilizada no crime.

Na cidade de Bento Gonçalves, na serra gaúcha volta das 15h35, uma mulher de 54 anos foi morta também a facadas. Os golpes foram desferidos na região do pescoço. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) chegou a ser acionada para atender a ocorrência, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.

A Brigada Militar compareceu ao local e realizou a prisão do suspeito, de 64 anos. Na casa, também foi localizada a faca utilizada no crime.

Em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Patrícia Viviane de Azevedo, de 50 anos foi morta a tiros dentro de casa no bairro Santa Isabel, em Viamão. O principal suspeito é o ex-companheiro da vítima. A polícia acredita que o crime tenha sido motivado pelo término da relação. O autor do crime teria fugido do local após o feminicídio, deixando no local a arma utilizada.

Em Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, uma mulher foi morta, no bairro Bom Jesus, o crime ocorreu na tarde desta sexta-feira. A vítima teria sido morta com golpes de facão.

O ex-companheiro foi preso ainda no local do crime. Ele estava ferido e foi encaminhado para atendimento no Hospital Santa Cruz.

O chefe da Polícia Civil do RS, delegado Fernando Sodré, confirmou os seis casos e revelou um dado alarmante: nenhuma das vítimas possuía medida protetiva de urgência contra os suspeitos.

> “É difícil até de buscar uma explicação para isso. Nós vamos trabalhar para tentar ver se existe algum elo entre esses casos, mas o único que fica claro é que ainda existe pensamento de um machismo estruturado, de uma certa misoginia, que mata, infelizmente. E que (o homem) entende que tem controle ou decisão sobre a vida dessas mulheres quando os relacionamentos não dão certo”, declarou Sodré.

A sequência de crimes acende um alerta para toda a sociedade: a violência de gênero segue fazendo vítimas mesmo após tantos avanços legais e campanhas de conscientização. O poder público, a segurança e a sociedade civil precisam agir de forma integrada e firme para romper com esse ciclo que insiste em se repetir.

Se você sofre ou conhece alguém em situação de violência doméstica, procure ajuda. Ligue 180 ou procure a Delegacia da Mulher mais próxima. O silêncio pode custar vidas.

 

 

*Com informações:  Correio do povo e G1

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