Tumulto, xingamentos e confronto físico provocam encerramento de sessão da Câmara de São Leopoldo

  • por Redação
  • Wednesday, 28 de October de 2026
Mobilização de apoiadores da oposição e da base governista elevou a tensão no Legislativo nesta terça-feira (27) sendo necessário reforço da segurança no local. Vereador fez acusações contra CCs da Prefeitura, mas também apareceu em vídeo xingando pessoas, e Subsecretário da Região Oeste relatou agressão e registrou ocorrência policial. (Foto: Dia Dia Com)

 

A sessão ordinária da Câmara Municipal de São Leopoldo, realizada na tarde desta terça-feira (27), foi encerrada poucos minutos depois de começar, em meio a um clima de tensão entre manifestantes ligados à oposição e apoiadores do governo municipal. A sessão que seria sem nenhuma pauta relevante, acabou marcado por troca de acusações, xingamentos e um confronto físico nas proximidades do Legislativo.

A movimentação começou antes mesmo da abertura dos trabalhos. Grupos contrários à administração municipal, cuja presença teria sido articulada pela bancada do Partido dos Trabalhadores (PT), compareceram à Câmara para acompanhar a sessão e se manifestar sobre a proposta previdenciária, no qual horas antes o prefeito Heliomar Franco (PL) havia divulgado um vídeo sobre o caso.

Entretanto, a mobilização teve uma reviravolta quando a base governista também reuniu apoiadores em grande maioria e servidores públicos favoráveis à atual administração. A presença expressiva do grupo surpreendeu integrantes da oposição, que esperavam maior participação de manifestantes contrários ao governo.

Com os dois grupos reunidos, o ambiente ficou cada vez mais tenso. Discussões, provocações e trocas de acusações começaram a ocorrer entre os participantes, dificultando o andamento dos trabalhos legislativos.

Diante da possibilidade de confrontos, a segurança foi reforçada antes da sessão. Pelo menos três equipes da Guarda Civil Municipal (GCM) e seis guarnições da Brigada Militar, incluindo duas da Força Tática, foram mobilizadas para acompanhar a movimentação e preservar a ordem pública.

As viaturas permaneceram posicionadas nas proximidades da Câmara, chamando a atenção de quem circulava pela região central da cidade. A presença das forças de segurança, no entanto, não impediu que os ânimos se exaltassem.

Com o ambiente conturbado, a sessão foi encerrada pouco depois de iniciada, impedindo sua continuidade por falta de segurança. A decisão não encerrou os desentendimentos, que continuaram do lado de fora da sede do Legislativo.

Entre os episódios registrados está uma discussão envolvendo o vereador Marcelo Pitol (PSD). O parlamentar apareceu em vídeo discutindo com pessoas que o confrontavam e dirigindo xingamentos aos interlocutores, em meio às provocações que marcaram a saída dos participantes.

Após o encerramento da sessão, Pitol também gravou um pronunciamento em frente à Câmara, no qual fez duras críticas à presença de ocupantes de cargos em comissão (CCs) da Prefeitura de São Leopoldo.

Em tom de irritação, o vereador afirmou que aproximadamente metade das pessoas que acompanhavam a sessão seria formada por servidores comissionados da administração municipal. Segundo ele, integrantes desse grupo teriam contribuído para a confusão que impediu a continuidade dos trabalhos legislativos.

O parlamentar também alegou ter sofrido ameaças e acusou integrantes do grupo governista de envolvimento em um episódio de agressão contra uma mulher. As afirmações foram feitas publicamente, mas as circunstâncias e responsabilidades mencionadas ainda dependem de uma confirmação oficial.

Durante o pronunciamento, Pitol questionou a participação dos comissionados na mobilização e cobrou que esses profissionais se dedicassem às demandas da população, especialmente nas áreas de saúde, educação, infraestrutura, manutenção de vias públicas e serviços urbanos.

Apesar das críticas feitas aos participantes ligados ao governo, o próprio vereador também esteve envolvido em discussões acaloradas, incluindo o episódio em que aparece xingando pessoas que o confrontavam.

Outro momento de maior tensão envolveu o subsecretário da Região Oeste de São Leopoldo, Maurinho Fiuza, e o servidor público concursado Amauri de Barros, motorista da Prefeitura e identificado segundo o secretário como filiado ao PT. Os dois se envolveram em um confronto físico nas proximidades da Câmara, em meio aos desentendimentos entre os grupos que acompanhavam a sessão.

Em conversa com o Portal Dia Dia News, Maurinho Fiuza afirmou ter sido agredido por Amauri de Barros durante a discussão, relatando que recebeu um soco na região da orelha, ele já vinha sendo ameaçado desde 2024. Segundo o subsecretário, após o episódio, ele se dirigiu à Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), onde registrou um boletim de ocorrência e solicitou a representação criminal contra o servidor apontado como responsável pela agressão.

O registro policial, conforme relatado por Fiuza, formaliza a denúncia e permite que os fatos sejam encaminhados para apuração pelas autoridades competentes. A versão apresentada pelo subsecretário ainda deverá ser confrontada com os demais elementos da ocorrência e com o relato do servidor acusado.

Amauri também é apontado segundo Fiuza, em relatos como a mesma pessoa que teria aparecido em um vídeo divulgado durante as eleições de outubro, quando, na condição de fiscal do PT, teria se envolvido em uma agressão contra uma fiscal do PL.

A confusão desta terça-feira ocorreu em meio às divergências políticas pós-eleições e a proposta de reforma da previdência que envolve diretamente o funcionalismo público e vem provocando discussões entre representantes do governo, vereadores e servidores.

A matéria estava prevista para voltar ao debate no Legislativo, mas o encerramento antecipado da sessão impediu o andamento da pauta. Com isso, a discussão precisará ser retomada em outra oportunidade, conforme definição da Câmara Municipal.

O episódio transformou uma tarde que deveria ser dedicada aos trabalhos parlamentares em uma mobilização marcada por confrontos verbais, denúncias de agressão e forte aparato de segurança.

Até o momento, não há confirmação sobre eventuais prisões relacionadas aos confrontos. Também não foi informada uma nova data para a retomada da discussão.

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