Defesa Civil do RS emite alerta vermelho para cota de inundação do Guaíba

  • por Redação
  • Thursday, 30 de July de 2026
Lago ultrapassa cota de atenção na Capital enquanto afluentes em inundação ameaçam os municípios de Canoas, Gravataí, Esteio e Viamão nas próximas horas (Foto: Divulgação/Arquivo)

 

O nível do Lago Guaíba registrou nova elevação nesta quinta-feira (30), alcançando a marca de 2,27 metros na régua instalada no Cais Mauá. A medição confirma que as águas ultrapassaram a cota de atenção de 2,00 metros estabelecida para a área central. Na régua da Usina do Gasômetro, o nível aferido no mesmo período marcou 1,61 metro, mantendo-se temporariamente dentro da faixa de normalidade técnica de escoamento do leito.

Os boletins técnicos integrados do Serviço Geológico do Brasil e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS apontam que o manancial continuará em ritmo de alta constante nas próximas horas.

A projeção das autoridades científicas estima que o lago alcance a cota de alerta de 2,60 metros entre a sexta-feira (31) e o sábado (1º), com probabilidade de tocar a cota de inundação estipulada em 3,00 metros ao longo do final de semana. Apesar do indicativo de repiquete, os meteorologistas e engenheiros hidráulicos reiteram que os dados atuais tornam improvável a ocorrência de cheias extremas como as observadas em períodos históricos recentes.

A atual elevação é explicada pelo escoamento de expressivos volumes de precipitação que atingiram o interior do Rio Grande do Sul nas últimas 24 horas. A bacia do Rio Taquari recebeu acumulados superiores a 100 milímetros de chuva em apenas um dia, enquanto a região hidrográfica do Rio Caí registrou marcas próximas a 80 milímetros, gerando uma forte onda de cheia em direção ao Delta. Esse comportamento impacta diretamente o Rio dos Sinos na região de São Leopoldo, que atingiu a marca de 4,80 metros na tarde desta quinta-feira (30), operando 30 centímetros acima de sua cota de transbordamento (4,50 metros) e mantendo tendência de elevação de 0,7 cm por hora rumo ao pico projetado para o sábado.

A iminência da cheia do Guaíba e o comportamento crítico de seus rios contribuintes geram reflexos diretos nas principais cidades vizinhas da Grande Porto Alegre. Em Canoas, o foco das atenções se volta para os bairros cortados pelo Rio dos Sinos e pelo Rio Jacuí, onde o represamento das águas pelo leito alto do Guaíba já causa o efeito de remanso, deixando as equipes de infraestrutura urbana em plantão nos sistemas de diques de proteção.

Em Gravataí, o rio homônimo ultrapassou sua cota de inundação de 4,75 metros, registrando marcas acima de 4,81 metros e provocando o avanço gradual da água sobre as margens, o que coloca comunidades ribeirinhas locais sob monitoramento estrito das defesas civis municipais.

O cenário de atenção também mobiliza os municípios de Esteio e Viamão. Em Esteio, as secretarias de segurança monitoram o comportamento das bacias conectadas ao Rio dos Sinos para prevenir o acúmulo de água nas galerias pluviais das áreas mais baixas da cidade.

Já em Viamão, os distritos localizados na extensão costeira voltada para a Lagoa dos Patos e para a foz do Guaíba observam a variação do nível com vistorias periódicas preventivas nas regiões de vilas de pescadores e balneários locais.

O reflexo prático do avanço das águas na Capital concentra-se de forma precoce no bairro Arquipélago, na Região das Ilhas, localidade vulnerável pela ausência de estruturas mecânicas ou diques de proteção viária. Pontos específicos de ruas nas partes baixas da Ilha da Pintada já apresentam acúmulo moderado de água sobre o pavimento.

Nas áreas centrais urbanizadas de Porto Alegre, os sistemas de drenagem urbana operam estritamente normais, e o Departamento Municipal de Água e Esgotos indicou que o protocolo de prontidão para fechamento preventivo das comportas metálicas do muro da Mauá é ativado somente quando o nível atinge 2,74 metros.

Para assegurar o suporte rápido aos moradores insulares e de áreas vulneráveis da Região Metropolitana, os órgãos de segurança reforçaram a divulgação dos telefones oficiais de emergência e resgate para as populações ribeirinhas. Em casos de necessidade de salvamento, deslocamento ou assistência imediata, os cidadãos devem acionar o Corpo de Bombeiros Militar pelo telefone 193, a Brigada Militar através do número 190, ou a Defesa Civil Estadual pelo telefone 199. No município de São Leopoldo, o atendimento local da Defesa Civil também segue disponível por meio do canal de WhatsApp no número (51) 99314-3966.

O monitoramento meteorológico aponta que o Rio Grande do Sul experimenta uma melhora gradual do tempo nesta quinta-feira (30) com o afastamento do sistema frontal. A data prevista para a entrada de uma massa de ar seco no Estado é a sexta-feira (31), quando um sistema de alta pressão firma as condições atmosféricas e garante o predomínio de sol com céu aberto na maior parte das regiões. Contudo, essa trégua será temporária, uma vez que uma nova frente fria avançará a partir do Uruguai já no sábado (1º), provocando o retorno de instabilidades em direção à Região Metropolitana.

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