Mais dois alunos tentam atacar colegas em escolas de SP e RJ após tragédia que vitimou professores

  • por Redação
  • Tuesday, 28 de March de 2023
Em Santo André, o aluno foi abordado antes de entrar na unidade e com ele, foi encontrado um simulacro de faca. (Foto: Street View)

 

Mais dois casos de alunos tentando atacar colegas em escola foram registrados nesta terça-feira (28), desta vez, um jovem de 15 anos foi detido em uma escola no Rio de Janeiro depois de tentar esfaquear colegas, e outro que não teve a idade revelada, tentou entrar em uma escola do ABC Paulista com um simulacro de faca. Os casos ocorrem um dia após uma professora ser morta e outras três educadoras serem feridas após serem esfaqueadas em uma escola estadual da zona oeste de São Paulo.

De acordo com a Polícia Militar do Rio de Janeiro, o autor foi contido por funcionários, que utilizaram uma cadeira e foi ferido na cabeça, mas sem gravidade. As forças de segurança conduziram o rapaz até o Hospital Municipal Miguel Couto, onde passou por atendimento.

Uma patrulha escolar foi acionada no interior da Escola Municipal Manoel Cícero, na Praça Santos Dumont, no bairro da Gávea. Segundo o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, que esteve no colégio após o ocorrido, outros problemas com o adolescente foi registrados anteriormente.

Ele foi transferido para a Escola Municipal Manoel Cícero recentemente, após cometer injúria racial contra um professor na unidade de ensino em que estudava anteriormente.

Uma professora precisou ser atendida numa ambulância do Corpo de Bombeiros após ter uma queda de pressão devido ao estresse. Testemunhas estão sendo ouvidas na 15ª DP e os alunos foram liberados com o acompanhamento dos responsáveis.

Já em Santo André, na grande São Paulo, outro aluno tentou entrar em uma escola armado com um simulacro de faca também nesta terça-feira. A Polícia Militar foi acionada na Escola Estadual Nelson Pizzotti Mendes, de acordo com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, o aluno não chegou a entrar na unidade escolar. A funcionária que controlava a entrada dos estudantes estranhou o comportamento do jovem e o abordou.

O coordenador da escola também não autorizou a entrada do aluno, porque outros estudantes teriam dito que ele estaria armado. Alguns dias antes, o jovem havia brigado com outro colega e dito que iria matá-lo.

Imediatamente, a PM foi chamada, assim como os responsáveis pelo aluno e as aulas foram retomadas normalmente. O caso está sendo registrado no plantão policial e elaborado um boletim de ocorrência.

Medidas adotadas pelo governo de São Paulo 

O Governo de São Paulo lançou nesta segunda-feira uma série de medidas para ampliar o acolhimento psicológico e ações de prevenção à violência no ambiente escolar. O anúncio foi feito pelos secretários de Educação, Renato Feder, e de Segurança Pública, Guilherme Derrite, em coletiva à imprensa sobre o caso de ataque à faca na Escola Estadual Thomazia Montoro, na zona Oeste da capital.

A primeira iniciativa é o investimento no programa Conviva (Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar), que existe desde 2019, e será intensificado de forma que 5 mil profissionais fiquem dedicados à aplicação das políticas de prevenção à violência nas unidades. Os novos educadores do programa receberão treinamento para identificar vulnerabilidades de cada unidade, além de colocar em prática ações proativas de segurança.

Atualmente, profissionais de 500 escolas estaduais estão capacitados para implementar as propostas de acolhimento e convívio do Conviva SP. “Vamos ampliar de 500 para 5 mil profissionais do Conviva, para que toda escola tenha um profissional dedicado ao programa”, afirmou o secretário Renato Feder.

A plataforma do Conviva – Placon – utilizadas para o registro de ocorrências nas escolas estaduais será atualizada, de forma que os casos graves sejam facilmente identificados e a equipe central do Conviva possa intervir pontualmente.

Além disso, a Secretaria de Educação também vai retomar o programa Psicólogos na Educação, que oferece suporte psicológico para orientar as equipes escolares e estudantes. De acordo com Feder, está prevista a contratação de 150 mil horas de atendimento presencial nas escolas. O processo está em cotação de preços e a licitação deve ocorrer nas próximas semanas. Também será prestado apoio psicológico aos professores, funcionários e alunos.

Combate a agressores

O secretário Guilherme Derrite (Segurança) informou que os comandantes de área de todo o Estado de São Paulo irão se reunir ainda hoje com diretores escolares para discutir e ampliar estratégias e programas de combate a agressores ativos.

“Por determinação do Comandante Geral da Polícia Militar, coronel Cássio, todos os capitães, comandantes de todas as companhias do Estado de São Paulo, irão procurar os diretores das escolas de suas áreas para discutir e entender como podem potencializar os programas de segurança”, explicou o secretário Derrite.

Além desta medida que irá aproximar os profissionais da Educação e da Segurança a fim ampliar a rede de proteção aos alunos de toda e rede pública estadual de ensino, o Governador Tarcísio de Freitas também estuda contratar policiais da reserva para que eles fiquem de forma permanente nas escolas.

Recesso

O secretário Renato Feder também anunciou que as aulas na Escola Estadual Thomazia Montoro serão suspensas por uma semana. O período será compensado com uma semana do recesso de julho para não atrapalhar o calendário escolar. Também será prestado apoio psicológico aos professores, funcionários e alunos.

Quatro anos da tragédia da escola Pau Brasil em Suzano

Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25 anos, ex-alunos do colégio Pau Brasil, entraram encapuzados pelo portão principal da escola e executaram um brutal ataque a tiros na manhã do dia 13 de março de 2019.

Oito pessoas morreram, incluindo o tio de um dos atiradores, atingido antes do ataque à escola, e outras 11 ficaram feridas. Após a chacina, Guilherme atirou em Luiz Henrique e cometeu suicídio em seguida, totalizando dez mortos.

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