Após analisar quase 80 câmeras, PM descarta indícios de perseguição a motorista de Fernando Haddad e arquiva investigação

  • por Redação
  • Monday, 31 de August de 2026
Procedimento de 383 páginas confrontou imagens, localização de viaturas, registros operacionais e versões apresentadas sobre suposta perseguição ao Ford Fusion utilizado pela campanha do candidato do PT ao Governo de São Paulo. (Foto: Divulgação)

 

A Polícia Militar concluiu e arquivou a investigação preliminar aberta para apurar a denúncia de uma suposta perseguição policial ao motorista do candidato Fernando Haddad (PT), durante a campanha ao Governo de São Paulo.

O caso envolveu um Ford Fusion utilizado pela campanha. Após analisar dezenas de câmeras de segurança e outros registros relacionados ao episódio, a apuração não encontrou indícios de irregularidades praticadas pelos policiais militares investigados.

O procedimento possui 383 páginas e reuniu imagens de câmeras de segurança, dados de localização das viaturas, registros operacionais, depoimentos e as diferentes versões apresentadas pelo motorista do veículo e pelo candidato sobre o ocorrido.

Ao todo, 79 câmeras foram examinadas durante o trabalho de reconstrução dos fatos. Em uma etapa mais detalhada, os investigadores concentraram a análise em 12 arquivos de vídeo provenientes de nove fontes distintas, considerados relevantes para estabelecer a sequência dos acontecimentos.

Segundo o relatório, os vídeos foram analisados de forma integral e contínua para verificar os deslocamentos e o tempo de permanência dos envolvidos em determinados locais. A investigação também confrontou essas informações com registros institucionais e dados do Sistema Radar.

Depois de comparar o material reunido com as versões apresentadas pelo motorista e por Fernando Haddad, a investigação apontou divergências entre os relatos e a cronologia obtida a partir dos registros.

Conforme consta no relatório, “nenhuma das versões examinadas encontra correspondência integral” com a sequência estabelecida pelas imagens, pelos posicionamentos institucionais e pelos registros do Sistema Radar.

Entre as alegações consideradas de maior gravidade estavam uma suposta perseguição contínua ao Ford Fusion, o bloqueio do automóvel, o desembarque de policiais direcionado ao motorista e uma ordem para que ele deixasse o local. Segundo a conclusão da investigação preliminar, essas situações “não foram corroboradas pelo conjunto objetivo reunido”.

A Polícia Militar também concluiu que os elementos analisados não apontaram indícios de transgressão disciplinar, crime militar ou crime comum atribuíveis aos policiais averiguados.

Diante do resultado, o relatório considerou que não existiam elementos mínimos para justificar a abertura de sindicância ou de outro procedimento administrativo ou disciplinar contra os agentes. A recomendação de arquivamento foi posteriormente acolhida pela autoridade responsável, que determinou: “Arquive-se para eventual consulta.”

O encerramento diz respeito à investigação administrativa conduzida pela Polícia Militar. Paralelamente, a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o episódio, procedimento que permanece em andamento.

Relembre o caso

Tudo começou após o relato de uma suposta perseguição policial ao Ford Fusion utilizado pela campanha de Fernando Haddad (PT) ao Governo de São Paulo. As alegações envolviam a atuação de policiais em relação ao automóvel conduzido pelo motorista ligado à campanha do candidato.

Entre os fatos relatados estavam uma suposta perseguição contínua, bloqueio do carro, desembarque de policiais em direção ao motorista e uma ordem para que ele deixasse o local.

A repercussão do episódio levou a Polícia Militar a abrir uma investigação preliminar para verificar a conduta das equipes envolvidas e reconstruir os acontecimentos.

Durante a apuração, os investigadores buscaram imagens disponíveis nos locais relacionados ao episódio e cruzaram os horários registrados pelas câmeras com dados de localização das viaturas, documentos operacionais e informações do Sistema Radar. Os relatos apresentados pelo motorista e pelo candidato também foram comparados com esse conjunto de informações.

Após a análise, a Polícia Militar concluiu que os registros reunidos não confirmaram integralmente as versões apresentadas e que as alegações consideradas mais graves sobre a atuação dos policiais não foram corroboradas pelos elementos objetivos obtidos durante a investigação.

Com isso, a apuração interna foi encerrada sem a identificação de elementos para responsabilização administrativa, criminal militar ou criminal comum dos policiais averiguados. O inquérito conduzido pela Polícia Civil, por outro lado, continua em andamento.

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