Grupo de voluntários de SC é expulso de abrigo em São Leopoldo por questões políticas

  • por Redação
  • Wednesday, 15 de May de 2024
Grupo decidiu não ficar mais em São Leopoldo, após toda a confusão, devem ir para outras cidades onde a ajuda deles é bem-vinda (Foto: Equipe multidisciplinar de SC)

 

Voluntários multidisciplinares da saúde de Santa Catarina, foram expulsos do centro de eventos São Borja, em São Leopoldo, no Vale dos Sinos no Rio Grande do Sul na noite desta terça-feira (14), por questões políticas. O local é um dos pontos com maior concentração de desabrigados na cidade com 100 mil atingidos e 12 mil desabrigados, devido a enchente historia que assola a cidade e o estado.

Cerca de 36 profissionais entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, bombeiros civis, socorristas e técnicos de enfermagem chegaram por volta das 11h da manhã e começaram a atender os desabrigados, que estão segundo o grupo, necessitados em questão de saúde, todos estavam sendo atendidos e medicados mediante receitar médica, à noite, equipes da prefeitura estiveram no local junto com agentes da Guarda Municipal e foram obrigados a recolher tudo e se retirarem do centro de eventos São Borja.

O grupo que deixou a rodoviária de Balneário Camboriú na noite de domingo (12), inicialmente prestou assistência em Canoas, onde foram bem recebidos e contaram com o apoio da direção de saúde local, ao chegarem em São Leopoldo nesta terça, os voluntários contam que montaram uma estrutura no CEVEN, no bairro São Borja para atender mais de 2000 desabrigados, muitos deles crianças, com problemas de saúde como febre e diarreia. 

“Eles têm apenas o básico, não têm estrutura”, relatou uma voluntária, nos deparamos com muitas famílias, crianças sem o menor cuidado, cães, sujeita. Muitas pessoas com queixas referentes à alimentação, que havia chegado estragada. Muitas crianças com febre, muitos portadores de doenças crônicas sem medicação. Iniciamos os atendimentos atendemos muitas pessoas, cuidamos – sob uma pressão imensa – o dia todo tivemos resistência da administração local". Desabafou um dos profissionais que é voluntário na equipe.

Conforme denúncias, após a montagem de uma estrutura de atendimento, a diretora-presidente da Fundação Municipal de Saúde, Paula Suseli Silva, interveio, solicitando a interrupção dos serviços, a apreensão dos medicamentos, o conflito se instaurou quando ela teria ordenado a prisão dos profissionais, que possuíam registros válidos nos conselhos regional de enfermagem e medicina.

Após uma reunião de emergência com o secretário municipal de saúde, Júlio Dornelles, foi permitida a retomada dos atendimentos, porém, a situação piorou novamente no final do dia, quando o secretário rompeu o acordo e pediu que a equipe cessasse os atendimentos e deixasse os medicamentos com a prefeitura, solicitação que o grupo negou. 

Talita Cristina, enfermeira e uma das idealizadoras do grupo, relatou: “Eles queriam que a gente fosse embora, mas que a medicação ficasse. A confusão começou aí, outros voluntários relataram condições precárias do local, incluindo má alimentação e falta de medicamentos para doenças crônicas, nos deparamos com muitas famílias, crianças sem o menor cuidado, cães, sujeira. Iniciamos os atendimentos e cuidamos sob uma pressão imensa o dia todo, além de enfrentar a ameaça de confisco da nossa medicação”, disse.

Os voluntários notaram que havia interesse em utilizar a presença do grupo para fins de mídia durante uma visita programada do presidente da República ao local. A equipe, porém, recusou-se a participar de qualquer ato que desviasse seu foco do atendimento humanitário.

Diante da pressão para entregar os medicamentos e cessar os atendimentos, os voluntários decidiram transportar os recursos para um local seguro em Esteio, onde poderiam continuar a prestar assistência sem interferências.

“No trabalho voluntário em acolher as pessoas que estão desabrigadas no Ceven (Centro de Eventos) em São Leopoldo, onde uma equipe multidisciplinar com médicos e enfermeiros vieram de outros estados para atender a demanda de mais 1000 pessoas, com muitas crianças, com idade entre 0 à 10 anos, que necessitavam de atendimento médico, muito deles com febre, dor de garganta e diarreia.

Após recebermos doações de empresas, médicos, clínicas do estado de Santa Catarina, entre outros estados, foram levados ao servidor Melo, identificado como servidor e responsável pelo local, entregamos os medicamentos, onde montaram no espaço um local para atender de forma digna as pessoas que necessitavam de atatendimento.

Atendimento foi realizado ao longo do dia 14 de maio, durante todo o dia, onde foram levados mais remédios para atender a demanda oriundo das doações já citados acima, a diretora-presidente da Fundação Municipal de Saúde, Paula Suseli Silva, por volta das 14h, quando chegou ao local solicitou a parada dos atendimentos, o recolhimento de todos os medicamentos e a prisão dos profissionais que realizam o atendimento, todos eles com COREN e CRM.

Em contato com a secretaria de saúde do município de São Leopoldo, foi realizado uma reunião de emergência para com o secretário municipal de saúde, Júlio Dornelles, na qual ficou acertado a continuação dos atendimentos, o que deixou as pessoas que estavam necessitando de atendimento satisfeitos com a presença de médicos e enfermeiros, inclusive com uma equipe de plantão que ficaria num turno de 12 horas para atender alguma situação de emergência durante a fria madrugada do Rio Grande do Sul, chegando aos 7 graus.

Após tudo acordado e o trabalho realizado, o secretario Júlio Dorneles, rompeu o acordo após as 19h, dispensando o trabalho da equipe multidisciplinar sugerindo guardar os remédios, na qual eram muitos em poder do município, na qual foi negado pela equipe disciplinar.

Os medicamentos foram recolhidos e acomodados no local de apoio em Esteio para atender a demanda de outros amigos em suporte e apoio as pessoas que necessitam de todo o tipo de acolhimento, desde de remédios, roupas, calçados, fraldas e um palavra de carinho e conforto, em que quando as águas os baixarem retornarão para suas casas, voltando a ter suas atividades, conseguirem trabalhar, com as crianças indo retornar para creche e voltando para escola”.

Os voluntários montaram até uma mini farmácia no local e trabalhavam em conjunto com a força nacional do SUS, inclusive, montaram uma estrutura de atendimento, "Os desabrigados passam por uma triagem com medição de situação e pressão, depois passam por consulta com nossos médicos voluntários, após pegar a receita, que é feita em papel oficial da prefeitura fornecido as equipes, são medicados, muitos tem remédios de uso contínuo e perderam os medicamentos". Conta Talita.

Os profissionais são das cidades Maringá, Curitiba no Paraná, e de Jaraguá do Sul, Balneário Camboriú, Itajaí, Araquari, Tubarão Blumenau e Joinville, dos 36, 19 estão em São Leopoldo, os demais estão atuando em Canoas, no grupo há profissionais que estão desempregados e que estão de férias, todos trabalham em clínicas, hospitais, postos de saúde em suas respectivas cidades, os voluntários vieram em ônibus e veículos menores.

A Prefeitura de São Leopoldo foi procurada e o PORTAL DIA DIA NEWS  pediu um posicionamento oficial:

A Secretaria Municipal de Saúde esclarece que são falsos os vídeos que afirmam que médicos e enfermeiros voluntários de Santa Catarina foram expulsos de abrigo municipal.

Houve a orientação para que os supostos profissionais se reportassem à Secretaria informando os respectivos registros profissionais nos conselhos de medicina, enfermagem e farmácia sem os quais é impossível a autorização para a atuação em saúde à população.

Os supostos médicos e enfermeiros se recusaram a atender às diretrizes previstas e espontaneamente se retiraram do local. 
A Secretaria de Saúde apoia todos os grupos de voluntários em saúde, mas não pode autorizar o manejo por pessoas sem registro profissional. Um profissional de imprensa da Prefeitura foi impedido de filmar a atuação do grupo. O Secretário de Saúde, Julio Dorneles, lamenta a distorção dos fatos mediante geração de informações falsas.

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