Caso Francis: Valor obtido por golpes praticados pela falsa advogada podem ultrapassar R$3 milhões de reais

  • por Redação
  • Wednesday, 29 de December de 2021
A maioria das vítimas foram lesadas em vendas no loteamento Clube Santa Clara do Lago (foto) e no bairro Jardim Paulistano. (Foto Divulgação/Redes Sociais)

 

Após a reportagem publicada com exclusividade pelo PORTAL DIA DIA NEWS, sobre a prisão de uma falsa advogada que aplicava golpes vendendo terrenos e casas que não estavam a venda e nem que lhe pertenciam, milhares de pessoas compartilharam a reportagem fazendo com que muitas outras vítimas da mulher, apontada como golpista pelas vítimas, aparecesse.

O PORTAL DIA DIA NEWS realizou um levantamento junto a polícia civil de Sumaré e milhares de vítimas que procuraram a reportagem, e descobriu que o valor arrecadado com os golpes, pode passar facilmente dos incríveis R$ 3 milhões de reais, em cerca de 20 anos de crimes cometidos por Francis Bárbara Teodoro Aguiar de 44 anos, de acordo com relatos das vítimas  que procuraram e concederam entrevistas pelo PORTAL DIA DIA NEWS, além de Francis, o filho, o marido, o pai e mais pessoas também fazem parte dos golpes praticados contra as mais de mil vítimas que já foram identificadas, a polícia civil acredita que este número possa ser ainda maior agora com a repercussão regional, que a prisão da mulher causou.

De acordo com uma das vítimas, a auxiliar administrativa Raquel da Silva de 43 anos, em 2020 ela e seu marido procuravam uma casa para comprar no loteamento Clube Santa Clara do Lago, na divisa entre Monte Mor e Campinas, o casal queria mais espaço para o filho que é portador de necessidades especiais, já que residem em um apartamento na cidade de Campinas, "Tínhamos um valor guardado e encontramos um anúncio nas redes sociais, entramos em contato com um senhor que passou o telefone da Francis que segundo ele, era advogada e faria os trâmites de negociação, ela nos levou até o imóvel que estava em reforma e então realizamos a compra, pagamos R$70 mil reais, o filho dela nos acompanhava e nos levava em tudo, cartório, banco, etc.." Relata Raquel.

A auxiliar começou a desconfiar das atitudes da suposta advogada quando começou a desconversar durante as conversas para entrega das chaves e data de mudança, "Como ela viu que não conseguiríamos se mudar por conta da casa ser de outra pessoa e que não daria certo, ela disse que nos dariam outra casa já que aquela estava com alguns problemas, um dia antes da mudança pedi para meu marido ir até lá, e percebemos que não havia vestígios dos donos deixarem a casa, ele conversou com os donos que confirmaram que estavam sim, vendendo, porém, não haviam compradores até então, o valor que estavam pedindo não era o que pagamos". Conta Raquel.

Ao entrar em contato com a mulher para então pegar o dinheiro de volta, a família já não conseguiu mais contato com Francis, "Depois que comecei a exigir o dinheiro de volta, e querer saber o que estava acontecendo, ela bloqueou eu e meu marido no WhatsApp, não atendia mais nossas ligações e sumiu, diante disso fomos então na delegacia, registramos um boletim de ocorrência e contratamos um advogado". Conta. 

Uma advogada que representava Francis entrou em contato com o advogado da família tentando um acordo, quando soube que as vítimas haviam entrado com processo, ela, segundo Raquel chegou a oferecer a devolução de 40 mil reais, o que não foi aceito pela defesa da família, a advogada então também desapareceu por um tempo e ao retornar o contato com a defesa da vítimas, soube que havia deixado a defesa de Francis, pois descobriu que a golpista queria usar o seu registro profissional de advogada para se passar pela profissional. De acordo com demais vítimas do mesmo local, Francis teria obtido documentos de famílias do loteamento com o intuito de "regularizar" o bairro junto a prefeitura de Monte Mor, e Campinas tendo assim acesso aos documentos dos imóveis e como cúmplice a ex-presidente do local.

Ainda segundo a vítima, as fotos e perfis da família foram removidos após a prisão e publicação da matéria do PORTAL DIA DIA NEWS, ela afirma que as últimas fotos que foram postadas, mostravam ela, o marido que é Guarda Civil Municipal em Sumaré e os filhos de férias em uma praia, "Foi revoltante ver as fotos, saber que estão curtindo, viajando com nosso dinheiro e de milhares de pessoas que estão até passando necessidades por acreditar que teriam um lar, muitas destas pessoas que conheço e que caíram na conversa dela, hoje estão morando na rua, pegando latinhas para tentar conseguir comida, muitos contraíram até problemas de saúde e tentam sobreviver achando que um dia, terão seu dinheiro que ganharam com tanto sacrifício e suor, de volta." Desabafa emocionada a auxiliar administrativa. Raquel ainda passou por problemas de saúde e precisou gastar ainda mais, agora com medicamentos e tratamentos, “Sofri com problemas de saúde, tive feridas no corpo, precisei passar por dermatologista, precisei gastar com remédios caríssimos e tive meu emocional muito abalado” Enfatiza a vítima.

Outra vítima foram os pais do comerciante Lucas Florentino Guilherme de 24 anos, amigo de infância do filho da golpista, segundo ele, seus pais compraram um terreno na cidade de Monte Mor no começo desse ano, a família pagou cerca de R$100 mil reais referente ao suposto terreno e mais R$7 mil reais referente à suposta documentação do terreno. “Minha família tinha amizade com a família dela, em especial eu com o filho dela. Sempre frequentei a casa deles, até que eles compraram um terreno em Monte Mor e de forma muito rápida construíram uma chácara enorme, então comecei a frequentar a chácara e meus pais também... Meus pais gostaram da chácara e da região e começaram a se interessar por um terreno à venda na rua de baixo”. Relata

Francis, segundo Lucas disse que conhecia o dono e que poderia negociar para a família, a princípio o terreno era no valor de R$150 mil reais, porém, durante as negociações foi fechado no valor de R$100 mil. “Minha mãe pagou os R$100 mil, e como ela se dizia advogada, ela cuidaria da documentação... Ela disse que em 45 dias a documentação estava na mão, passou o tempo e ela sempre inventava alguma história, 3 meses depois, meus pais sem paciência já, começaram a pressionar ela, e então ela disse que a documentação saiu e que era pra eles transferir R$7 mil referente as taxas de transferência do terreno, escritura e tudo mais.

A taxa foi paga, porém toda vez que ela marcava no cartório para resolver a papelada, ela inventava algo, ou que o carro quebrou, ou que pegou covid, sempre havia uma desculpa. Até que ligamos no cartório que ela falava, perguntamos sobre a documentação, demos os nomes e tudo mais e o rapaz disse que não tinha documento nenhum lá e que estávamos caindo num golpe.” Conta o comerciante.

A família então começou a investigar e descobriu que Francis não era advogada e que então haviam, de fato caído em um golpe. “Descobrimos que ela nem era advogada de verdade, vimos processos que ela tinha sobre enganar outros, até chegamos a saber de pessoas que ela já havia roubado, tentamos até negociar em paz com ela, pegar carro ou coisa do tipo para ela pagar o que tirou de nós. Mas não teve acordo, era sempre mais e mais mentiras da parte dela”. Completa Lucas.

O comerciante completa ainda que os pais usaram toda a renda que tinham e hoje enfrentam ainda problemas de saúde após perderem tudo que tinham, “Minha mãe chorou horrores, pois era o dinheiro que ela juntou por anos para realizar o sonho de ter uma chácara, meu pai usou abono, FGTS, férias vendidas, tudo o que ele tinha para juntar os 100 mil do terreno. Ficaram arrasados, até hoje estão e só de mencionar o nome da golpista, gera estresse neles.”Desabafa.

Ainda de acordo com outras vítimas que entraram em contato com o PORTAL DIA DIA NEWS, após a veiculação da reportagem da prisão da mulher, a maioria das vítimas estão no bairro Jardim Paulistano, em Sumaré, ainda de acordo com o levantamento feito pelo PORTAL DIA DIA NEWS, mais de 100 famílias foram lesadas por Francis no bairro, muitas com prejuízos que ultrapassam dos R$70 mil reais entre meados de 2002 e 2009, Francis responde cerca de 73 processos judiciais, a maioria no Tribunal de Justiça de São Paulo e boa parte dos processos são também em nome da Invest Imobiliária e Advocacia, empresa usada pela mulher que na verdade é corretora de imóveis e também respondeu processo há alguns anos por não pagamento de anuidade. O número de processos e de boletins de ocorrências ainda pode ser maior.

Em entrevista ao PORTAL DIA DIA NEWS, o delegado Marcelo Moreschi Ribeiro que coordena as investigações do caso, informou que a prisão preventiva de Francis foi decretada após passar por audiência de custódia e permanecerá presa, ela foi transferida para a penitenciária de Votorantim, advogados já entraram com Habeas Corpus para a soltura da mulher, no entanto, ainda não houve julgamento, a Justiça também decidiu pelo sequestro dos bens que já estão no valor de R$170 mil reais, ainda segundo Moreschi, a justiça tenta descobrir mais imóveis e bens ligados ou em nome da indiciada, segundo ele, veículos que estariam na casa onde ela morava são alugados e não serão relacionados aos processos. A polícia pede ainda para que todas as vítimas que já tenham feito boletim de ocorrência, que procurem novamente as delegacias e refaçam o registro, quem ainda não realizou a representação, pode se dirigir até a delegacia e pedir para asinar o registro de representação, 

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