Glória Menezes morre aos 91 anos e Brasil se despede de uma das maiores estrelas da televisão

  • por Redação
  • Tuesday, 18 de August de 2026
Atriz morreu nesta terça-feira (18), no Rio de Janeiro, após mais de seis décadas de carreira no teatro, cinema e televisão; gaúcha de Pelotas formou com Tarcísio Meira um dos casais mais conhecidos da dramaturgia brasileira.(Foto: Divulgação)

 

A atriz Glória Menezes, um dos maiores nomes da história da televisão brasileira, morreu nesta terça-feira (18), aos 91 anos, no Rio de Janeiro. A artista faleceu em casa e, segundo informações divulgadas pela família e pela assessoria, a morte ocorreu por causas naturais.

Com mais de seis décadas dedicadas à atuação, Glória deixa uma trajetória marcada por personagens que atravessaram gerações no teatro, cinema e, principalmente, nas novelas brasileiras.

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, Glória foi registrada como Nilcedes Soares de Magalhães. Ainda jovem, mudou-se para São Paulo e iniciou sua aproximação com as artes. O nome artístico Glória Menezes seria adotado no começo da carreira e acabaria se tornando um dos mais conhecidos da dramaturgia nacional.

Sua trajetória profissional começou no fim dos anos 1950. Depois de experiências no teatro, estreou na televisão em 1959, na extinta TV Tupi. Poucos anos depois, participou de um momento histórico da televisão brasileira ao protagonizar, em 1963, “2-5499 Ocupado”, ao lado de Tarcísio Meira. A produção é considerada a primeira telenovela diária exibida no país.

Foi também durante esse período que a vida profissional e pessoal de Glória passou a se confundir com a de Tarcísio Meira. Os dois se casaram em 1963 e construíram uma das uniões mais conhecidas do meio artístico brasileiro.

Foram 59 anos juntos, dividindo a vida familiar e inúmeros trabalhos na televisão, no cinema e no teatro. O casamento terminou apenas com a morte de Tarcísio, em agosto de 2021, vítima de complicações da Covid-19.

Antes da união com Tarcísio, Glória havia sido casada com Arnaldo Brito, com quem teve Maria Amélia e João Paulo. Com Tarcísio Meira, teve Tarcísio Filho, que também seguiu a carreira de ator. A atriz deixa, portanto, três filhos.

A carreira no cinema também colocou Glória Menezes em um dos momentos mais importantes da história do audiovisual brasileiro. Ela integrou o elenco de “O Pagador de Promessas”, lançado em 1962. O filme dirigido por Anselmo Duarte conquistou a Palma de Ouro no Festival de Cannes e permanece como o único longa-metragem brasileiro vencedor do principal prêmio da competição francesa.

Na televisão, Glória construiu uma carreira extensa. Sua chegada à TV Globo ocorreu em 1967, em “Sangue e Areia”, na qual interpretou Doña Sol e novamente contracenou com Tarcísio Meira. A partir dali, tornou-se presença constante nas novelas e participou de mais de 40 produções na emissora.

Um dos trabalhos mais marcantes veio em 1970, em “Irmãos Coragem”, de Janete Clair. Na novela, Glória viveu Lara, uma mulher que apresentava três personalidades diferentes: Lara, Diana e Márcia. A interpretação tornou-se uma das mais lembradas de sua trajetória e ajudou a consolidar definitivamente a atriz entre as grandes estrelas da televisão brasileira.

Ao longo das décadas seguintes, Glória mostrou capacidade para interpretar personagens completamente diferentes. Em “Pai Herói”, de 1979, viveu Ana Preta, uma mulher independente e dona de uma casa de samba. Depois vieram produções como “Jogo da Vida”, “Guerra dos Sexos”, “Corpo a Corpo” e “Brega & Chique”.

Nos anos 1990, outro papel entraria definitivamente para a história das novelas. Em “Rainha da Sucata”, Glória interpretou Laurinha Figueroa, uma das vilãs mais conhecidas de sua carreira. Também esteve em produções como “Deus nos Acuda”, “A Próxima Vítima” e “Torre de Babel”, mantendo-se entre os principais nomes da dramaturgia mesmo após décadas de trabalho.

As novas gerações também conheceram Glória Menezes por personagens como Zoroastra, em “O Beijo do Vampiro”, e a Baronesa de Bonsucesso, em “Senhora do Destino”. Mais tarde, interpretou Irene Fontini em “A Favorita”. Seu último trabalho em novelas foi “Totalmente Demais”, exibida entre 2015 e 2016, quando viveu Stelinha, mãe de Arthur, personagem de Fábio Assunção.

Mesmo depois de se afastar das novelas, Glória ainda realizou aparições especiais. Participou do humorístico “Tá no Ar”, em 2018, e do especial “Os Casais que Amamos”, em 2020. Em 2025, sua trajetória ganhou uma homenagem na série documental “Tributo”, que revisitou momentos importantes de sua carreira e de sua história ao lado de Tarcísio Meira.

No teatro, onde também construiu parte importante de sua carreira, participou de espetáculos que permaneceram anos em cartaz. Entre eles estão “Tudo Bem no Ano Que Vem”, “Navalha na Carne”, “Jornada de Um Poema” e “Ensina-me a Viver”, este último apresentado durante vários anos.

A morte da atriz provocou manifestações de artistas e profissionais que trabalharam com ela. Tony Ramos, que contracenou com Glória em produções como “Pai Herói” e “Rainha da Sucata”, afirmou que o Brasil perdeu “uma de suas maiores atrizes e uma referência”. Ana Maria Braga, Susana Vieira, Beth Goulart, Bruna Lombardi, Gloria Perez e outros nomes também prestaram homenagens à artista.

Glória passou os últimos anos mais próxima da família após a morte de Tarcísio Meira. A despedida do companheiro, em 2021, encerrou uma parceria de quase seis décadas que ultrapassou a vida particular e se tornou parte da própria história da televisão brasileira. Juntos, os dois protagonizaram novelas, peças, filmes e até o seriado “Tarcísio & Glória”.

Com a morte de Glória Menezes, a dramaturgia brasileira perde uma de suas pioneiras e uma artista que acompanhou praticamente toda a evolução das novelas no país, desde os primeiros anos da televisão até as grandes produções do século 21. Sua história permanece registrada em dezenas de personagens, filmes, peças e novelas que ajudaram a formar a memória da televisão brasileira.

Também nesta terça-feira (18), a teledramaturgia perdeu outro grande nome da história da televisão brasileira, Laura Cardorso faleceu aos 98 anos em sua casa em SãoPaulo

Até o início da noite desta terça-feira, a família ainda não havia divulgado oficialmente os detalhes sobre o velório e o sepultamento da atriz.

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