Prefeito de São Paulo trás de volta à GCM a lendária ROMU, a primeira do país

  • por Redação
  • Friday, 06 de February de 2026
Criada em 1993, a Romu de SP foi a primeira no país e motivou a criação de outras por vários municípios no Brasil (Foto: Divulgação)

 

O prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB) mudou o nome da Inspetoria de Operações Especiais (Iope), uma das divisões da Guarda Civil Metropolitana (GCM), para Ronda Ostensiva Municipal (Romu), nomenclatura que a Guarda Civil Metropolitana foi a pioneira no país a lançar em 1993.

Nunes afirma que a mudança pretende melhorar a percepção da população sobre o policiamento ostensivo e se alinhar à nomenclatura já adotada em outros municípios.

"O nome Iope não leva para a população a imagem da real atividade do policiamento ostensivo", afirmou o prefeito em agenda pública nesta sexta-feira, 6. "Além disso, a Romu já está sendo utilizada por várias polícias municipais. Para ficar adequado e igual, não ficar cada um com um nome, a gente está fazendo essa mudança".

A Ronda Ostensiva Municipal (Romu) vai "atuar em ações ostensivas e táticas de maior complexidade, com foco na prevenção de crimes, controle da desordem urbana, apoio a operações integradas e resposta rápida a situações críticas", de acordo com a Secretaria de Segurança Urbana.

O prefeito usou suas redes para apresentar o modelo de viaturas em um vídeo publicado na quarta-feira, 4. Trata-se de um Veículo Utilitário Esportivo (SUV) com pintura preta e cinza, mesmas cores dos batalhões de choque da Polícia Militar, como a Rota (Ronda Ostensiva Tobias Aguiar), unidade de elite da PM.

"Essa máquina vai para a rua atrás da bandidagem. É a nova viatura da nossa polícia municipal", afirmou o prefeito ao lado do secretário de Segurança Urbana Orlando Morando.

A mudança foi feita por decreto municipal em 19 de janeiro. O texto estabelece que a Romu assumirá as funções de patrulhamento tático e ostensivo, atuação em emergências e apoio a ações de outros órgãos públicos na capital paulista.

O prefeito já tentou alterar o nome da GCM para Polícia Municipal, mas teve a proposta barrada pela Justiça no ano passado. O entendimento foi que a criação de polícias municipais afronta as Constituições federal e estadual.

No mesmo decreto da Romu, a gestão Nunes criou a Inspetoria de Ações Táticas Especiais (Iate) em substituição à Inspetoria de Ações Integradas.

O objetivo é que os agentes atuem "em ocorrências de alta complexidade, como em áreas de risco elevado, grandes emergências e crises".

A transição da ROMU para a IOPE ocorreu oficialmente em 25 de fevereiro de 2009, sob a gestão do então prefeito Gilberto Kassab. 

A Primeira romu do país 

Primeiro pelotão da ROMU da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo em 1993 (Foto: Divulgação)

 

A primeira Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo foi criada em 1993, durante a gestão do então prefeito Paulo Maluf. A unidade foi instituída como um grupamento tático especializado da GCM de São Paulo. 

A Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, no geral, foi instituída anteriormente, em 15 de setembro de 1986, pelo prefeito Jânio Quadros, conforme o Portal da Câmara Municipal de São Paulo e Prefeitura de São Paulo.

A primeira corporação de Romu dos anos 90 utilizava as lendárias viaturas Chevrolet Veraneio de cor preta com a palavra "Ronda" nas laterais sob uma faixa branca e vermelha, os agentes usavam boinas negras e braçal de Romu, armas longas e treinamento tático especializado, com base nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA).

A partir daí, milhares de municípios brasileiros criaram romus dentro das guardas municipais, seguindo a doutrina e mantendo viva a história da primeira romu do país criada no segundo mandato do ex-prefeito Paulo Maluf como Rondas Municipais. Maluf tinha a intenção de criar uma tropa semelhante à Rota.

Treinados pela ROTA

O treinamento da Ronda Ostensiva Municipal (ROMU) no Brasil, muitas vezes referenciado ou espelhado nas técnicas da ROTA (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) da Polícia Militar de São Paulo, é um processo rigoroso e especializado de patrulhamento tático. As corporações de ROMU buscam qualificar seus guardas civis para atuar em áreas de alto risco e situações complexas e são preparados pela maior tropa de elite do pais. 

O treinamento envolve intensas instruções teóricas e práticas, simulando situações reais para garantir agilidade e tomada de decisão correta sob estresse. 

Instruções Técnicas e Táticas: Inclui patrulhamento urbano, incursões em áreas de vulnerabilidade, controle de distúrbios civis e, especificamente, técnicas de "abordagem de alto risco".

Armamento e Tiro: Treinamento intensivo no manejo de armas de fogo (como carabinas e pistolas calibre .40), tiro tático, tiro de combate e "decisão de tiro".

Condicionamento Físico e Mental: Instruções rigorosas que testam a resistência física e a resiliência emocional (psicológica) dos agentes, frequentemente com regimes de internato ou semi-internato.

Defesa Pessoal: Técnicas de combate corpo a corpo e uso de força técnica.

Simulações de Alta Complexidade: Treinos constantes para garantir que a equipe esteja pronta para ações rápidas.

Direção Defensiva e Evasiva: Capacitação técnica para condução de viaturas em situações de emergência. 

Os cursos da ROTA para operadores de ROMU (conhecidos como COR ou CTOR - Curso Tático de Operações ROMU) são desafiadores e duram desde instruções de nivelamento de cerca de 10 dias até cursos intensivos de 90 dias, como o realizado em algumas regiões para formar o grupo de elite da Guarda Municipal. 

Intercâmbio com a ROTA:

A influência da ROTA evidencia a busca por procedimentos de patrulhamento tático padronizados, com instrutores de unidades como Choque e PATAMO participando da capacitação, focando em combater crimes violentos e organizações criminosas. 

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