Velório e sepultamento das vítimas da escola Raul Brasil em Suzano-SP reuniu 10 mil pessoas

  • por Rafael Rezende
  • Friday, 15 de March de 2019

 O velório e enterro coletivo de parte das vítimas do massacre que deixou 10 mortos em Suzano, na Grande São Paulo, começou na manhã desta quinta-feira (14). Na cerimônia aberta ao público na Arena Suzano, seis vítimas foram veladas; as demais optaram por velórios reservados. Na última quarta-feira (13), cinco alunos, dois funcionários e o tio de um dos assassinos morreram na ação que tinha como alvo a Escola Estadual Professor Raul Brasil. Os atirdores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, de 25, também morreram, após cometer a tragédia; de acordo com a polícia, Monteiro matou Castro e depois se suicidou. O corpo de Jorge Antônio de Moraes foi enterrado no Cemitério dos Ipês. Jorge morreu assassinado pelo sobrinho na loja de carros em que era dono. Deixou mulher e três filhos de 27, 22 e 15 anos. Ele era dono de uma loja de vendas de carros usados, onde também funcionava um estacionamento e lava-jato. A família do estudante Douglas Murilo Celestino, de 16 anos, preferiu se despedir numa cerimônia reservada. Debaixo de chuva forte, eles se abraçaram no fim da tarde desta quinta (14). O corpo da coordenadora da escola Marilena Umezo será sepultado apenas no sábado (16), quando um dos filhos dela retornar do exterior. Um cortejo acompanhado por familiares e amigos das vítimas do massacre na Escola Estadual Raul Brasil levou os cinco corpos da Arena Suzano, onde ocorreu o velório, para o Cemitério Municipal São Sebastião. Debaixo de chuva, pessoas acompanharam os carros que deixaram o ginásio, onde o velório reuniu cerca de 10 mil pessoas. Todos os corpos passaram primeiro pela capela, apenas com a presença da família. Em seguida, uma multidão acompanhava cada corpo até o local do sepultamento. Uma cerimônia marcou a descida de cada caixão.   Terceiro envolvido O delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, disse ontem que dados coletados na investigação indicam a participação de terceiro jovem no massacre ocorrido anteontem na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo. Cinco estudantes, duas coordenadoras e um empresário foram mortos pelos ex-alunos Guilherme Taucci Monteiro, 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25. A dupla se matou depois. De acordo com Fontes, o terceiro jovem também é ex-aluno da escola e não estava no momento do crime, mas planejou a ação com Guilherme, considerado o líder. “A apreensão do adolescente foi sugerida ao Juízo da Infância e da Juventude. E o material relacionado à participação dele já está no inquérito.” Os jovens começaram a comprar pela internet os objetos que utilizaram no ataque em novembro do ano passado. Eles tinham um revólver, machados, flechas, uma besta (arco e flecha com gatilho), coquetel molotov, fios e munição. A arma teria sido adquirida de um traficante da cidade vizinha de Mogi das Cruzes. O pagamento foi feito com o dinheiro que Guilherme furtou da loja de carros do tio – onde chegou a trabalhar, mas foi demitido quando os delitos foram descobertos. O tio é o empresário assassinado pelos jovens antes do massacre na escola.   Columbine e ‘deep web’ Para Fontes, os atiradores não foram movidos por serem vítimas de bullying e teriam copiado o massacre de Columbine, no EUA, quando dois ex-alunos mataram 12 pessoas e se mataram em seguida, em 1999. “A motivação tem caráter pessoal, por reconhecimento na comunidade”. Para o delegado-geral, ainda não há como afirmar que os assassinos usavam a “deep web”. O tema é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. “Há indícios de que os adolescentes participavam de grupos de ‘deep web’, o que pode ser chamado de terrorismo doméstico. Se houver trabalho organizado, é preciso investigar e ter prevenção severa”, disse ontem o procurador-geral de Justiça, Gianpaolo Smanio,

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