Limpeza de tanque de despesca em Taquara afeta qualidade da água em cidades do Vale do Sinos e Região Metropolitana

  • por Redação
  • Monday, 13 de April de 2026
O descarte inadequado de resíduos orgânicos teria causado forte odor e "gosto de barro" na água que chega às torneiras em municípios como São Leopoldo, Sapiranga e Campo Bom.(Foto: Semae/Divulgação)

 

Moradores de diversas cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre e do Vale do Sinos enfrentam, desde o início desta semana, problemas com a qualidade da água potável.

Relatos de forte odor e gosto de terra (semelhante à geosmina) inundaram as redes sociais e os canais de atendimento das concessionárias. A origem do problema foi rastreada até o município de Taquara, onde a limpeza de um grande tanque de despesca teria lançado resíduos orgânicos diretamente em afluentes que alimentam a bacia do Rio dos Sinos.

Segundo apuração do Portal Dia Dia News junto à autarquias de agua e esgoto da região, a operação de esgotamento e limpeza do tanque de criação de peixes resultou no despejo de uma carga orgânica elevada no leito do rio.

Esse material, rico em sedimentos e algas decompostas, alterou as características sensoriais da água bruta captada pelas estações de tratamento (ETAs) quilômetros abaixo do ponto de descarte, com o baixo nivel dos rios, nao foi possivel diluir com eficácia.

Impacto em São Leopoldo e Região

Em São Leopoldo, o Semae (Serviço Municipal de Água e Esgotos) confirmou o recebimento de inúmeras queixas. Embora as unidades de tratamento operem com a aplicação de carvão ativado — técnica utilizada justamente para neutralizar o gosto e o cheiro — a intensidade da carga orgânica vinda de Taquara dificultou a remoção total dessas características nas primeiras horas do incidente.

Além de São Leopoldo, cidades como Sapiranga, Campo Bom, Novo Hamburgo e Portão também registraram alterações. Técnicos das companhias de saneamento explicam que, embora a água apresente um aspecto desagradável, ela segue dentro dos padrões de potabilidade estabelecidos pelo Ministério da Saúde após passar pelas etapas de desinfecção e filtragem.

Medidas e Fiscalização

A crise começou após o esvaziamento de tanques de criação de peixes em uma propriedade rural. A grande quantidade de matéria orgânica e sedimentos despejada no leito do rio sobrecarregou as estações de tratamento.

A Prefeitura de Taquara, por meio de nota oficial, informou que a Secretaria de Meio Ambiente já realizou a fiscalização no local da despesca.

O município notificou os responsáveis e está monitorando o impacto ambiental. A prefeita Sirlei Silveira reiterou que a administração municipal está cobrando da concessionária Corsan agilidade no tratamento com carvão ativado para neutralizar o gosto de "terra" e garantir que o abastecimento retorne aos padrões sensoriais normais o quanto antes.

O Comitesinos (Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos) emitiu um posicionamento oficial alertando para a fragilidade do rio diante de descartes dessa natureza, especialmente em períodos de baixo nível das águas.

O comitê destacou que está articulando uma ação conjunta com a Fepam e os órgãos ambientais municipais para investigar se houve crime ambiental ou se o descarte desrespeitou as licenças vigentes.

O órgão defende uma fiscalização mais rigorosa em atividades de piscicultura de grande porte para evitar que eventos isolados comprometam o abastecimento de milhares de pessoas.

Os órgãos de fiscalização ambiental de Taquara e do Estado (Fepam) foram acionados para avaliar a extensão do dano e aplicar as sanções cabíveis aos responsáveis pelo manejo do tanque de despesca.

A orientação para os consumidores que perceberem a alteração é purgar a rede (deixar a água correr por alguns segundos) e, caso o problema persista, entrar em contato com os canais oficiais da Corsan ou do Semae.

A previsão é que, com o fluxo natural do rio e o reforço no tratamento químico nas ETAs, o gosto e o cheiro da água normalizem em até 48 horas em toda a rede de distribuição.

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