Tornado e temporais severos deixam rastro de destruição e mais de 130 cidades afetadas no Rio Grande do Sul

  • por Redação
  • Thursday, 30 de July de 2026
Fenômeno raro gerado por supercélula destruiu casas no Noroeste, enquanto rios em cota de inundação mantêm Defesa Civil em alerta máximo; mais de mil gaúchos estão fora de casa.(Foto: Divulgação)

 

A passagem de um tornado de forte intensidade, combinada a uma sequência de tempestades severas, microexplosões e queda de granizo, causou severa destruição no Rio Grande do Sul.

Segundo o balanço mais recente da Defesa Civil Estadual nesta quarta-feira (29), subiu para 135 o número de municípios que reportaram estragos decorrentes da instabilidade gerada pelo avanço de uma potente frente fria. O cenário é de alerta máximo devido ao transbordamento de grandes mananciais e ao risco de novos deslizamentos de terra.

O evento mais crítico ocorreu na região Noroeste, onde uma supercélula de tempestade gerou um tornado que tocou o solo e atravessou as zonas urbanas e rurais de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho.

Em Giruá, comunidades como Rincão dos Coimbras e Rincão dos Mellos foram severamente atingidas, e moradores registraram em vídeo o funil causando destelhamentos em massa e a destruição total de galpões rurais.

Sete de Setembro, um município de pequeno porte, teve residências completamente pulverizadas pela força do vento, deixando famílias desabrigadas, enquanto Senador Salgado Filho registrou mais de uma dezena de casas com destelhamento total na zona urbana. Já nas regiões litorânea e do Planalto Médio, especificamente em Osório e Não-Me-Toque, os ventos atingiram marcas próximas a 100 km/h em decorrência de uma microexplosão atmosférica avaliada pela MetSul Meteorologia, que destelhou mais de 200 casas em cada uma das cidades.

Apesar do cenário devastador e do pânico generalizado na população, não foram registradas mortes no território gaúcho até o momento. O balanço consolidado aponta sete feridos, sendo duas pessoas em Sete de Setembro, duas em Santo Antônio das Missões, uma em Giruá, uma em Itaqui e uma em Osório, todas atendidas em hospitais e fora de perigo.

Além disso, o Estado contabiliza 1.114 pessoas fora de casa, divididas entre 779 desabrigados acolhidos em estruturas públicas e ginásios, e 335 desalojados abrigados temporariamente em residências de parentes ou amigos.

Os acumulados de chuva superaram os 151 mm em Itaqui em poucas horas, provocando respostas hidrológicas rápidas e fazendo com que a Defesa Civil mantivesse avisos de inundação para diversas bacias hidrográficas.

O Rio dos Sinos, em São Leopoldo, segue acima da cota de inundação em 4,60 metros, enquanto o Rio Uruguai apresenta elevação crítica nas cidades de São Borja, Itaqui e Uruguaiana, invadindo áreas ribeirinhas. A cheia do Rio Jacuí bloqueia estradas secundárias e isola comunidades do interior em Cachoeira do Sul, ao passo que o Rio Caí é monitorado na altura de Caxias do Sul e Nova Palmira com risco muito alto de transbordamento imediato.

Essa elevação dos mananciais também comprometeu gravemente a infraestrutura de transporte com a interdição de pontes importantes. A estrutura sobre o Rio Guaporé na rodovia ERS-129, localizada entre Encantado e Muçum, está com bloqueio total devido a danos estruturais provocados pela força da água, e a ponte que liga Salto do Jacuí a Estrela Velha foi completamente destruída. Quedas de postes e barreiras de terra ainda provocam lentidão e interrupções parciais em rodovias federais como a BR-470, em Bento Gonçalves, e a BR-116, em São Marcos.

Após o pico de instabilidade, a tendência para as próximas horas é de predomínio de tempo firme com o avanço de uma massa de ar seco que estabilizará o tempo em todo o território gaúcho.

No entanto, as autoridades alertam que o solo segue completamente saturado, mantendo o risco moderado a alto para deslizamentos de terra na Serra Gaúcha e na Região Metropolitana de Porto Alegre. Moradores que necessitarem de lonas ou atendimento emergencial devem acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo número 199.

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