Funcionário limpa empresa por dentro, some com 134 máquinas pesadas e deixa rombo de R$ 16,5 milhões em Cachoeirinha

  • por Redação
  • Thursday, 21 de May de 2026
Operação Judas explode esquema de corrupção corporativa que durou três anos; polícia caça frota de empilhadeiras em dois estados e bloqueia nove empresas.(Foto: Divulgação/PC)

 

Um funcionário que desfrutava de total confiança institucional é o principal alvo de uma grande investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

Deflagrada pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão, a Operação Judas desarticulou um esquema criminoso que desviou 134 máquinas industriais de uma empresa localizada em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. O prejuízo estimado para a companhia chega à cifra de R$ 16,5 milhões.

A ofensiva, coordenada pelo delegado Alexandre Fleck, revelou que a fraude não foi um fato isolado. Trata-se de uma engrenagem criminosa que operou em silêncio por cerca de três anos sem levantar suspeitas nas auditorias internas.

Como funcionava a fraude interna

O codinome da operação faz referência direta à traição corporativa cometida pelo suspeito. Valendo-se do cargo que ocupava, o homem utilizava seu profundo conhecimento sobre a logística e as vulnerabilidades digitais da empresa para burlar a fiscalização.

Para retirar os equipamentos pesados — como empilhadeiras e paleteiras — sem disparar os alertas de segurança, o funcionário adotava duas táticas principais:

Inundava os softwares de gestão da companhia com informações falsas, emitia documentos fraudulentos para acobertar a saída dos bens, mercado paralelo e aluguel clandestino

Após saírem dos pátios da empresa, os maquinários abasteciam uma rede ilegal de comércio e receptação.

A investigação apontou que parte dos equipamentos ganhou uma "segunda vida" no mercado de locação. Um dos envolvidos mantinha a posse indireta dos bens e os alugava de forma regular para outras empresas, lucrando duas vezes com o crime.

O esquema também contava com a participação de pessoas físicas e jurídicas que compravam o maquinário por valores abaixo do mercado, cientes da origem ilícita ou assumindo o risco da transação.

Varredura interestadual e bloqueio de bens

Com o avanço do inquérito, o Poder Judiciário autorizou o cumprimento de 43 medidas cautelares. Uma força-tarefa com aproximadamente 65 policiais civis saiu às ruas para cumprir simultaneamente 14 mandados de busca e apreensão.

Os alvos estavam espalhados por Porto Alegre, Gravataí e Canoas, além de alcançar o município de Serra, no Espírito Santo.

Para sufocar o braço financeiro da organização, a Justiça determinou:

O bloqueio imediato de contas bancárias e ativos financeiros dos suspeitos.

A quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos.

A indisponibilidade de bens de nove empresas ligadas à compra ilegal do maquinário.

Próximos passos da investigação

A mobilização policial resultou na recuperação de 18 máquinas durante a operação. Outros 20 equipamentos já haviam sido localizados previamente ao longo das investigações secretas. Nos endereços vistoriados, os agentes apreenderam celulares, notebooks e farta documentação.

De acordo com o delegado Alexandre Fleck, todo o material apreendido passará por perícia técnica. O foco agora é extrair dados que detalhem o fluxo do dinheiro e localizar as quase 100 máquinas que continuam desaparecidas.

Os envolvidos responderão por crimes como furto qualificado pelo abuso de confiança, falsidade ideológica, receptação qualificada e associação criminosa.

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