Governador Eduardo Leite sofre ataque homofóbico de ex-deputado, ao defender escolas cívico-militares

  • por Redação
  • Saturday, 15 de July de 2023
O ex-BBB retorna ao Brasil após a retomada do poder pela esquerda, e assume o cargo de assessor na Secretaria de comunicação da Presidência (SESCOM). (Foto: Divulgação)

 

O governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) foi atacado pelo ex-deputado federal  e ex-BBB Jean Wyllys (PT) nas redes socais na noite desta sexta-feira (14), após anunciar que manteria no estado as escolas-cívico militares, devido ao anúncio do governo federal do cancelamento do programa lançado por Jair Bolsonaro (PL).

Tudo começou após o governador informar que seria mantido o modelo educacional no estado, contrariando a decisão do governo federal e do Ministério da Educação que cancela o projeto de escolas cívico-militares lançados por Bolsonaro, Leite publicou em seu Twitter que “Seu governo irá manter o programa de escolas cívico-militares no RS”, o jornalista publicou na mesma rede a postagem do governador e atacou dizendo que “Governadores heteros de direita e extrema-direita fizessem isso já era esperado. Mas um gay...? Se bem que gays com homofobia internalizada em geral desenvolvem libido e fetiches em relação ao autoritarismo e aos uniformes; se for branco e rico então... Ta feio,bee!”.

Na sequencia o governador rebateu os ataques dizendo que “Manifestação deprimente cheia de preconceitos em incontáveis direções... e que em nada contribui para construir uma sociedade com mais respeito e intolerância. Eu lamento a sua ignorância” disse Leite. No começo de julho o ex-BBB voltou ao Brasil após passar quatro anos morando no exterior por conta de supostas ameaças de morte que teria sofrido no Brasil, nas primeiras semanas de janeiro de 2019, após a vitória de Bolsonaro como presidente, Jean chegou a ser reeleito como deputado federal, mas não tomou posse e abriu mão do mandato.

O ex-parlamentar foi recebido pela primeira-dama Rosângela da Silva e ganhou um cargo na Secretaria de Comunicação da Presidência (SECOM), e será assessor do ministro da pasta, professor universitário e jornalista Jean Wyllys, de 44 anos, abriu mão da carreira na política devido a ameaças. Professor, jornalista, escritor, ex-BBB e político, natural de Alagoinhas, município baiano a 120 quilômetros de Salvador, Wyllys se dedicou à carreira acadêmica enquanto ainda vivia na Bahia.

Chegou ao Rio de Janeiro em 2005, e ficou nacionalmente conhecido ao vencer a 5ª edição do reality show Big Brother Brasil. A final foi disputada com a hoje atriz Grazzi Massafera. Após o programa, atuou como jornalista e apresentador de televisão. Em 2010, foi eleito deputado federal pela primeira vez, já pelo PSOL, com 13 mil votos. Em 2014, foi reeleito com 144 mil votos. Após nova reeleição em 2018, com 24 mil votos, tomaria posse em 1º de fevereiro, mas desistiu e disse que permanecerá fora do país devido às ameaças.

Wyllys foi alvo constante de provocações por parte dos colegas parlamentares e, durante as sessões no plenário e nas comissões, chegou a bater boca diversas vezes com adversários. O episódio mais polêmico ocorreu durante a votação da abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016. Wyllys cuspiu no então deputado Jair Bolsonaro e foi punido pelo Conselho de Ética da Câmara com uma censura escrita.

O ex-parmamentar admitiu em entrevista à imprensa, no Salão Verde da Câmara,na época ter cuspido "na cara" do então deputado Jair Bolsonaro, porque ele o "insultou", e disse que repetiria o gesto "quantas vezes" fossem necessárias. Seis meses após o episódio, o Conselho de Ética da Câmara instaurou processo disciplinar para apurar o caso, que poderia resultar na suspensão de Wyllys por quebra de decoro parlamentar. O Conselho decidiu pela absolvição do parlamentar por 13 votos a zero (e uma abstenção). Jean Wyllys recebeu uma pena de censura por escrito.

O governador do Rio Grande do Sul assumiu ser homossexual em 2021, ele se tornou o primeiro governador na história do Brasil a assumir ser gay. Leite disse, em entrevista a um programa na TV Globo, em 1 de julho que "Eu sou gay, eu sou gay e sou um governador gay. Não sou um gay governador, tanto quanto Obama nos EUA não foi um negro presidente. Foi um presidente negro. E tenho orgulho disso. Não trouxe esse assunto, mas nunca neguei ser quem eu sou. Nunca criei um personagem".

Ao tomar posse como governador do Rio Grande do Sul no Palácio Piratini, acompanhado do namorado, o médico capixaba Thalis Bolzan, Leite agradeceu pelo apoio do companheiro e fez referência aos ataques homofóbicos que sofreu durante a campanha.

“O Rio Grande do Sul não tem uma primeira-dama, mas tem uma pessoa que é de verdade. Podem ter certeza”, disse Leite, sendo aplaudido de pé.

A fala do governador foi uma referência ao ataque feito pelo ex-ministro e adversário no segundo turno Onyx Lorenzoni (PSL) em uma propaganda de rádio na qual dizia que, caso fosse eleito, o Rio Grande do Sul teria “uma primeira-dama de verdade”. A declaração do então candidato impulsionou uma onda de homofobia da sua base contra Leite nas redes sociais.

Artigos Relacionados