Justiça absolve ex-vereador Gabriel Monteiro após quatro anos de embate judicial

  • por Redação
  • Thursday, 11 de June de 2026
Após deixar a prisão em março de 2025 por decisão judicial, ex-parlamentar reverte acusações criminais, alega "assassinato de reputação" e planeja processos de reparação financeira e moral.(Foto: Divulgação)



O ex-vereador e ex-policial militar Gabriel Monteiro foi totalmente absolvido pela Justiça do Rio de Janeiro das acusações de crimes sexuais que pesavam contra ele.

A decisão judicial encerra um longo embate jurídico e foi classificada pelo ex-parlamentar como uma vitória e uma reparação histórica após anos de desgaste pessoal.

Em pronunciamento oficial, a defesa celebrou o resultado, sustentando que a sentença confirmou as contradições dos relatos e a total inexistência de provas capazes de embasar as denúncias.

A reviravolta no caso ganhou força definitiva após ser constatado que a denúncia de estupro possuía profundas incoerências processuais. Pouco antes da sentença, uma das principais acusadoras chegou a admitir formalmente às autoridades que havia mentido sobre o crime.

O magistrado responsável pelo caso declarou a improcedência das acusações em primeira instância. A Justiça entendeu que não houve comprovação dos episódios relatados, o que desestruturou a tese de acusação que vinha sendo mantida pelo Ministério Público.

Em desabafo publicado em suas redes sociais, Gabriel Monteiro afirmou ter sido vítima de um conluio e de um "assassinato em vida", destacando que a morte da honra é muito pior do que a morte física. Os impactos sofridos ao longo dos últimos quatro anos causaram danos profundos e irreversíveis em sua trajetória.

O ex-parlamentar permaneceu em prisão preventiva por cerca de dois anos e quatro meses, obtendo a liberdade condicional mediante medidas cautelares em março de 2025, por decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça.

Além do isolamento, o processo resultou em ruína financeira, com bloqueio de fontes de renda e acúmulo de dívidas milionárias, o que o obrigou a recorrer ao apoio de sua família para subsistência.

No campo profissional, ele teve canais digitais desmonetizados, perdeu sua principal atividade econômica como criador de conteúdo e enfrentou um severo linchamento social por parte da opinião pública antes de qualquer trâmite judicial concluído.

Antes do escândalo, Gabriel Monteiro iniciou sua trajetória pública como soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Ele ganhou notória projeção nacional na internet ao produzir vídeos confrontando superiores, ativistas e criminosos, época em que também integrou o Movimento Brasil Livre.

Em 2020, acabou expulso da corporação sob alegação de deserção. No mesmo ano, surfando em sua imensa popularidade digital, elegeu-se vereador do Rio de Janeiro pelo PSD, obtendo a terceira maior votação daquela legislatura.

Entre 2021 e 2022, manteve uma atuação parlamentar polêmica na Câmara Municipal, marcada por fiscalizações surpresas em hospitais e órgãos públicos, cujas ações eram transformadas em vídeos de grande engajamento nas redes sociais.

O declínio de sua carreira política ocorreu em meados de 2022, quando uma série de reportagens e investigações policiais desencadeou graves acusações contra ele. Monteiro foi acusado de estupro por uma estudante de 23 anos e enfrentou denúncias de assédio sexual.

Simultaneamente, ex-funcionários de seu gabinete moveram ações alegando assédio moral e episódios de importunação sexual no ambiente de trabalho.

Ele também foi acusado de manipulação midiática, sob a suspeita de forjar situações em seus vídeos na internet e de violar direitos de menores de idade que participavam de suas gravações.

A gravidade dessas denúncias culminou na cassação do seu mandato político em agosto de 2022 por quebra de decoro parlamentar, em votação expressiva de 48 votos a 2. Três meses depois, teve a prisão preventiva decretada.

Com a declaração oficial de sua inocência na esfera criminal, Gabriel Monteiro foca agora na reestruturação de sua vida por meio de medidas judiciais e de imagem.

A defesa confirmou que pretende acionar judicialmente o Estado e os indivíduos responsáveis pelas falsas denúncias, buscando indenização cível por danos morais, materiais e perdas financeiras geradas pelo período de cárcere.

O ex-vereador também pretende restabelecer sua atuação como influenciador digital, utilizando suas plataformas para divulgar a íntegra da sentença e tentar limpar seu nome publicamente.

Embora ainda existam restrições decorrentes de sua cassação política em 2022, aliados e familiares — como seu pai, o deputado federal Roberto Monteiro — avaliam o impacto da absolvição para uma eventual reabilitação de seus direitos políticos no futuro.

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