EUA classificam PCC e Comando Vermelho como grupos terroristas globais

  • por Redação
  • Friday, 29 de May de 2026
Medida inédita do governo norte-americano congela ativos financeiros e altera o patamar de enfrentamento às duas maiores facções criminosas do Brasil.(Foto: Divulgação)

 

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na categoria de "Terroristas Globais Especialmente Designados".

Em comunicado oficial assinado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, o governo norte-americano confirmou que as duas maiores organizações criminosas brasileiras passarão a constar formalmente na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras a partir do dia 5 de junho.

Com a nova determinação, Washington passa a tratar as atividades dos grupos brasileiros sob a ótica da segurança nacional, aplicando sanções severas. A medida atende à estratégia do governo de Donald Trump de enquadrar grandes cartéis e redes de tráfico da América Latina como "narcoterroristas", visando cortar o fluxo de financiamento internacional e blindar o território norte-americano do avanço de drogas ilícitas.

Impacto financeiro e restrições globais

A classificação resulta no bloqueio imediato de quaisquer ativos, bens ou contas bancárias vinculadas a integrantes das facções que tramitem pelo sistema financeiro dos Estados Unidos.

Além disso, cidadãos e empresas norte-americanas ficam expressamente proibidos de fornecer qualquer tipo de apoio logístico, material ou financeiro aos grupos. O enquadramento também eleva o risco jurídico para corporações internacionais que operam em áreas com forte influência das facções, além de impor severas restrições de imigração e vistos para suspeitos de ligação com os grupos.

No texto divulgado, o governo americano descreve o PCC e o CV como organizações altamente violentas que orquestram ataques brutais contra policiais, autoridades e civis em solo brasileiro. O comunicado alerta ainda que a influência e as redes ilícitas de ambas as facções ultrapassaram as fronteiras do Brasil, expandindo-se de forma consistente pela América do Sul até atingir o interior dos Estados Unidos.

Articulação política e reações em Brasília

A oficialização da medida ocorreu logo após agendas políticas cruciais em Washington. O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, reuniu-se no Salão Oval com o presidente Donald Trump e, no dia seguinte, com o secretário Marco Rubio.

Durante os encontros, o parlamentar reforçou o pedido de inclusão das facções na lista de organizações terroristas, defendendo maior rigor internacional contra o crime organizado.

Por outro lado, o Palácio do Planalto e o Ministério das Relações Exteriores vinham travando negociações diplomáticas para tentar conter a designação americana. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumenta que as facções não se enquadram no conceito técnico de terrorismo da legislação brasileira, uma vez que buscam o lucro financeiro por meio do tráfico de drogas e armas, sem motivações ideológicas, políticas ou religiosas.

Brasília manifestou preocupação de que a interferência externa possa ferir a soberania nacional em segurança pública ou prejudicar o sistema bancário doméstico.

O debate sobre a legislação brasileira

No cenário doméstico, a decisão de Washington deve intensificar a pressão sobre o Congresso Nacional para a reforma da Lei Antiterrorismo.

Parlamentares da oposição articulam propostas para equiparar as condutas de facções criminosas e milícias a atos terroristas, permitindo que processos sejam migrados para a esfera federal e facilitando o emprego das Forças Armadas em ações de segurança interna.

Especialistas jurídicos, contudo, divergem sobre a eficácia da medida e apontam riscos de banalização do termo ou de uso indevido contra movimentos sociais civis.

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