Ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem é preso pelo ICE nos Estados Unidos

  • por Redação
  • Monday, 13 de April de 2026
Ramagem foi abordado por agentes do ICE enquanto caminhava em uma via pública. No momento da abordagem, ele teve seus documentos recusados pelas autoridades americanas.(Foto : Tomaz Silva / Agência Brasil)


O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso na manhã desta segunda-feira (13), pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE). A captura ocorreu em Orlando, na Flórida, e marca o fim de meses como foragido da justiça brasileira.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 a uma pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão. As acusações envolvem suposta "tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito".

De acordo com informações da Polícia Federal, Ramagem foi abordado por agentes do ICE enquanto caminhava em uma via pública. No momento da abordagem, ele teve seus documentos recusados pelas autoridades americanas.

As investigações apontam que o ex-parlamentar deixou o Brasil por via terrestre através da fronteira de Roraima com a Guiana, seguindo posteriormente para os EUA.Embora tenha ingressado nos EUA com um passaporte diplomático, o documento foi cancelado pela Câmara dos Deputados após a cassação administrativa de seu mandato em dezembro de 2025.

Ramagem havia tentado formalizar um pedido de asilo político, alegando perseguição, mas a inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, facilitou a ação das autoridades estrangeiras.

O governo brasileiro já havia oficializado o pedido de extradição em 30 de janeiro de 2026, por meio de uma nota verbal entregue ao Departamento de Estado dos EUA. Com a prisão efetuada pelo ICE, o processo deve ser acelerado, embora ainda dependa de trâmites do sistema judiciário americano.

Recentemente, em fevereiro de 2026, Ramagem chegou a prestar depoimento ao STF por videoconferência, participando via Zoom diretamente dos Estados Unidos, onde negou as acusações e criticou a atuação da corte brasileira.

A prisão de Ramagem é vista como um desdobramento crucial das investigações sobre a chamada "Abin Paralela" e a trama "golpista" de 2022. Além da condenação principal, ele ainda responde a outros processos por danos ao patrimônio público relacionados aos atos de 8 de janeiro.

 

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