Morre Netinho, ícone do axé dos anos 90, aos 60 anos; morte provoca comoção entre fãs e artistas brasileiros

  • por Redação
  • Tuesday, 13 de October de 2026
Cantor de sucessos como “Milla” e “Beijo na Boca” enfrentava um câncer desde 2025 e morreu após complicações da doença. Claudia Leitte, Sarajane e outras personalidades lamentaram a perda do artista, que será velado e cremado em cerimônia reservada.(Foto: Divulgação)


O cantor e compositor Netinho, um dos principais nomes do axé music e responsável por sucessos que marcaram a música brasileira na década de 1990, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador, na Bahia.

O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, câncer que atinge o sistema linfático, e estava internado após o agravamento da doença. A morte foi confirmada pela assessoria do músico por meio de um comunicado divulgado nas redes sociais.

De acordo com a equipe, o quadro clínico evoluiu para insuficiência renal e comprometimento de múltiplos órgãos. Netinho vinha recebendo acompanhamento médico especializado e passou por diferentes etapas de tratamento desde a descoberta do câncer, em 2025.

A notícia provocou manifestações de tristeza entre fãs, amigos, músicos e personalidades que acompanharam sua trajetória. Nas redes sociais, admiradores relembraram apresentações, compartilharam fotografias antigas e publicaram trechos de músicas que fizeram parte de festas, carnavais e momentos marcantes de suas vidas.

Entre as artistas que prestaram homenagem está a cantora Claudia Leitte, uma das representantes do axé music que alcançaram projeção nacional nas décadas seguintes ao início da carreira de Netinho. Ela publicou uma fotografia ao lado do músico e escreveu: “Descanse em paz, meu irmão!”, acompanhando a mensagem com uma demonstração de tristeza.

Claudia já havia manifestado apoio ao colega durante o tratamento. Quando surgiram informações sobre o agravamento de sua saúde, a cantora publicou uma mensagem informando que estava em oração por sua recuperação.

A cantora Sarajane, integrante da geração que ajudou a consolidar o axé na Bahia, também esteve entre os nomes que lamentaram a morte. A perda repercutiu no meio artístico, especialmente entre profissionais ligados ao Carnaval de Salvador e à expansão do gênero musical pelo Brasil.

A cantora e empresária Andrea Sorvetão destacou a resistência demonstrada pelo artista durante os problemas de saúde. “Aaahh! Grande guerreiro!!! Sua alegria e força ficaram”, escreveu.

A apresentadora Sonia Abrão também esteve entre as personalidades que repercutiram o falecimento. Outras manifestações surgiram em publicações de artistas, comunicadores e admiradores que acompanharam a carreira de Netinho desde seus primeiros sucessos.

O Esporte Clube Bahia, time pelo qual o cantor torcia, publicou uma homenagem em suas redes sociais. O clube lamentou a morte do artista e destacou sua importância para a música baiana, além da ligação que mantinha com o futebol e com a torcida tricolor.

A repercussão também alcançou fãs de diferentes gerações. Muitos lembraram que conheceram o trabalho de Netinho durante a explosão do axé nos anos 1990, enquanto outros passaram a ouvir suas músicas em festas populares, eventos e celebrações carnavalescas. Entre as canções mais mencionadas nas homenagens está “Milla”, um dos maiores sucessos de sua carreira.

A luta contra o câncer começou em 2025, quando o cantor procurou atendimento médico depois de apresentar fortes dores nas costas, nas pernas e dificuldades para caminhar. Os exames identificaram um linfoma não Hodgkin, doença que exigiu internação e início de tratamento com quimioterapia.

Durante os primeiros meses, Netinho compartilhou informações sobre sua recuperação e recebeu inúmeras mensagens de incentivo. Em junho daquele ano, chegou a comemorar a remissão do câncer, quando os exames não identificaram sinais ativos da doença.

Com a melhora, retomou gradualmente suas atividades profissionais e voltou a planejar apresentações. Entretanto, em maio de 2026, novos exames apontaram o retorno do linfoma, desta vez com características mais agressivas.

O diagnóstico obrigou o artista a iniciar outra etapa de quimioterapia. Mesmo diante das dificuldades, ele continuou mantendo contato com seus seguidores e relatando parte da experiência de enfrentar a doença.

Em agosto, Netinho informou que havia realizado dez sessões de quimioterapia e que os médicos avaliavam a possibilidade de um autotransplante de medula óssea, procedimento utilizado em determinados casos de câncer para tentar controlar a enfermidade.

O estado de saúde voltou a exigir internação no Hospital Aliança Star, em Salvador. No fim de setembro, a assessoria comunicou que o músico permaneceria afastado das redes sociais para concentrar suas energias no tratamento.

Nos dias seguintes, a situação apresentou novas complicações. Apesar dos cuidados hospitalares, o câncer comprometeu o funcionamento dos rins e de outros órgãos, provocando o falecimento nesta terça-feira.

Os problemas de saúde já haviam marcado outro período importante da vida do cantor. Em 2013, Netinho enfrentou graves complicações neurológicas, sofreu acidentes vasculares cerebrais e precisou passar por cirurgias no cérebro.

Na ocasião, permaneceu internado durante meses e enfrentou dificuldades para falar, caminhar e recuperar parte dos movimentos. O processo de reabilitação foi prolongado e provocou seu afastamento temporário dos palcos.

Mesmo depois das limitações provocadas pelos problemas neurológicos, conseguiu retomar gradualmente sua carreira musical, voltando a participar de eventos e apresentações.

Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no interior da Bahia, Netinho cresceu em uma família que enfrentou dificuldades após a morte precoce do pai. Ainda criança, mudou-se para Salvador, onde desenvolveu sua ligação com a música.

Na adolescência, ganhou um violão da mãe e começou a aprender a tocar sozinho. Posteriormente, ingressou no curso de Engenharia Civil, mas decidiu seguir profissionalmente a carreira artística.

Suas primeiras apresentações aconteceram em bares, escolas e pequenos eventos da capital baiana, onde interpretava músicas populares brasileiras e composições de bossa nova.

A projeção começou no fim da década de 1980, quando assumiu os vocais da Banda Beijo. O grupo conquistou espaço no Carnaval de Salvador e ajudou a levar o axé para rádios e programas de televisão de diferentes regiões brasileiras.

Com músicas como “Beijo na Boca” e “O Arrastão”, Netinho passou a integrar uma geração de artistas que transformou o ritmo baiano em fenômeno nacional.

Em 1993, iniciou a carreira solo, ampliando seu repertório e consolidando sua presença na indústria musical. O álbum “Um Beijo pra Você” ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas e contribuiu para sua projeção no mercado fonográfico.

O reconhecimento nacional ganhou ainda mais força com “Milla”, música que se tornou um dos principais símbolos do axé na década de 1990. A canção conquistou espaço nas rádios, programas de televisão, trios elétricos e festas populares, permanecendo conhecida mesmo décadas depois de seu lançamento.

Outros sucessos, como “Fim de Semana”, “Menina”, “A Vida É Festa” e “Pra Te Ter Aqui”, também integraram o repertório que marcou sua trajetória.

Ao longo da carreira, Netinho realizou apresentações em diferentes estados brasileiros e no exterior. Seu trabalho contribuiu para a popularização do axé music em um período de crescimento da música baiana, ao lado de outros artistas e grupos que ganharam reconhecimento nacional.

Fora dos palcos, também desenvolveu projetos empresariais ligados à produção musical e investiu em estruturas de gravação. Na vida pessoal, foi casado com a jornalista Mariana Trindade, com quem teve uma filha, Bruna, nascida em 1998.

O cantor também participou da vida política. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal (PL), mas não conseguiu se eleger.

Mesmo diante dos problemas de saúde, manteve sua ligação com o público e demonstrou o desejo de continuar trabalhando. Em 2025, após a primeira fase do tratamento contra o câncer, voltou a realizar apresentações e lançou a música “Obrigado Meu Deus”, marcada por referências à fé e à gratidão.

A assessoria do artista informou que Netinho enfrentou os últimos meses com serenidade e costumava demonstrar reconhecimento pelo carinho recebido ao longo da carreira.

Em uma mensagem divulgada após sua morte, a equipe relembrou uma declaração que o cantor fazia durante o tratamento: “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.”

A morte de Netinho representa a perda de uma das vozes que contribuíram para transformar o axé em um dos gêneros mais populares do Brasil. Suas músicas continuam presentes na memória de quem acompanhou a expansão do ritmo baiano e nas celebrações que mantêm vivo o repertório dos anos 1990.

Velório e cremação serão reservados

A despedida de Netinho será realizada de forma privada, conforme desejo manifestado pelo próprio cantor antes de morrer. Segundo a assessoria, o velório e a cremação terão a presença restrita de familiares e amigos próximos, sem cerimônia aberta ao público.

Até a última atualização, não haviam sido divulgados a data, o horário nem o local dos procedimentos funerários. A equipe pediu respeito à privacidade da família durante o período de luto e agradeceu as mensagens de solidariedade recebidas de fãs, amigos e integrantes do meio artístico.

O artista será cremado, não havendo sepultamento tradicional anunciado. Enquanto familiares e pessoas próximas se preparam para a despedida, as homenagens continuam nas redes sociais, onde admiradores recordam músicas, apresentações e momentos que fizeram de Netinho uma das figuras mais conhecidas do axé brasileiro.

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