Dois aviões caem em Minas Gerais e deixam quatro mortos, entre eles três policiais militares

  • por Redação
  • Friday, 09 de October de 2026
Acidentes ocorreram em Belo Horizonte e na região do Vale do Aço, com poucas horas de diferença. Uma das aeronaves pertencia à Polícia Militar de Minas Gerais; a outra caiu sobre os trilhos do metrô da capital e pegou fogo. As causas das duas tragédias estão sendo investigadas.(Fotos: Divulgação)

 

Minas Gerais registrou dois acidentes aéreos graves nesta sexta-feira (09), que resultaram na morte de quatro pessoas. As quedas ocorreram em diferentes regiões do estado, com poucas horas de diferença.

O primeiro acidente aconteceu no fim da manhã, em Belo Horizonte, onde um avião monomotor caiu sobre uma área de manutenção do metrô e pegou fogo, matando o piloto. Já durante a tarde, uma aeronave da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) caiu nas proximidades do Aeroporto Regional do Vale do Aço, em Santana do Paraíso, provocando a morte de três policiais militares.

O primeiro acidente foi registrado por volta das 11h15, no bairro São Gabriel, na Região Nordeste de Belo Horizonte. A aeronave havia decolado do Aeroporto da Pampulha e seguia em direção ao município de Juatuba, na Região Metropolitana, onde faria um pouso antes de retornar à capital mineira.

O avião era um monomotor Embraer EMB-711ST Corisco II Turbo, de matrícula PT-VHE, fabricado em 1988, com capacidade para quatro ocupantes, incluindo o piloto. Entretanto, no momento do acidente, apenas o comandante estava a bordo.

Segundo informações, a aeronave apresentou dificuldades para ganhar altitude após a decolagem. Testemunhas relataram que o avião sobrevoava a região em baixa altura e que foram ouvidos estouros momentos antes da queda.

O monomotor percorreu aproximadamente um quilômetro após deixar o Aeroporto da Pampulha. Durante a queda, atingiu a estrutura de um galpão de manutenção ferroviária e a rede elétrica, antes de cair sobre uma linha auxiliar utilizada para movimentação de vagões do metrô.

Com o impacto, a aeronave pegou fogo e ficou destruída. O piloto morreu carbonizado no local, sem possibilidade de atendimento médico.

O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais mobilizou seis viaturas para combater as chamas e controlar os riscos provocados pelo combustível da aeronave. As equipes utilizaram espuma especial para extinguir o incêndio e realizaram procedimentos de segurança para evitar novas explosões.

A queda ocorreu nas proximidades da Estação São Gabriel, em uma área operacional destinada à manutenção dos trens. Apesar da gravidade do acidente, nenhum funcionário do metrô ficou ferido.

O Metrô BH informou que a aeronave atingiu uma área utilizada para manobras e manutenção, sem envolver composições que transportavam passageiros.

De acordo com os registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião estava em situação cadastral regular e possuía certificado de aeronavegabilidade válido até outubro de 2027. A regularidade documental, entretanto, não esclarece as condições mecânicas do equipamento no momento da queda.

A aeronave pertencia à empresa Bello Fruit Importação e Exportação, sediada na Bahia, e estava registrada para operação privada, sem autorização para realizar serviço de táxi aéreo.

As circunstâncias que levaram à perda de altitude e à queda serão investigadas pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira.

Poucas horas depois, uma segunda tragédia aérea foi registrada em Minas Gerais, desta vez envolvendo uma aeronave da Polícia Militar.

O acidente aconteceu por volta das 16h10, no município de Santana do Paraíso, na região do Vale do Aço, próximo ao Aeroporto Regional do Vale do Aço, conhecido como Aeroporto de Ipatinga.

A aeronave era um bimotor Beechcraft 300, de matrícula PP-EJO, pertencente à Polícia Militar de Minas Gerais e utilizado pelo Comando de Aviação do Estado (Comave).

Segundo informações de rastreamento de voo divulgadas, o avião havia decolado do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, às 15h16, com destino ao Aeroporto de Ipatinga. A chegada estava prevista para aproximadamente 16h02.

Entretanto, durante a aproximação da região do aeroporto, a aeronave caiu em uma área de vegetação próxima ao quilômetro 43 da BR-458.

Equipes de emergência foram acionadas por volta das 16h20 para atender à ocorrência. O Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) participaram da mobilização.

A Polícia Militar confirmou que três integrantes da corporação estavam na aeronave e morreram no acidente.

A confirmação das mortes foi feita pelo diretor de Comunicação da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Flávio Santiago, que lamentou a tragédia e informou que a instituição apresentaria novos esclarecimentos sobre as circunstâncias da queda.

Imagens registradas nas proximidades do aeroporto mostraram uma grande coluna de fumaça preta após o acidente, indicando a intensidade do incêndio provocado pela queda da aeronave.

O avião integrava a estrutura aérea da Polícia Militar mineira, responsável por operações que incluem transporte, apoio operacional, deslocamento de equipes e atividades de treinamento.

Informações apontam que a aeronave era utilizada em uma atividade de treinamento. As circunstâncias específicas da missão e os fatores que provocaram o acidente ainda dependem de esclarecimento oficial.

Apesar da ocorrência nas proximidades do aeroporto, a Infraero informou que as operações do terminal continuaram normalmente, sem necessidade de suspensão das atividades.

As equipes de resgate permaneceram no local para realizar os procedimentos de atendimento, isolamento da área e retirada das vítimas.

O Cenipa também iniciou os procedimentos de investigação relacionados à queda da aeronave da Polícia Militar. Os investigadores deverão analisar os destroços, as condições meteorológicas, o histórico de manutenção e as informações disponíveis sobre os últimos momentos do voo.

Os dois acidentes aconteceram no mesmo estado e no intervalo de aproximadamente cinco horas, mas, até o momento, não existe indicação de qualquer relação entre as ocorrências.

A queda registrada em Belo Horizonte também chama a atenção para outros acidentes envolvendo aeronaves de pequeno porte na capital mineira e na Região Metropolitana durante 2026.

Em maio, um avião atingiu um prédio no bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte, após decolar do Aeroporto da Pampulha. O acidente provocou a morte de três pessoas.

Em agosto, outra aeronave caiu em uma área rural de Mateus Leme, na Região Metropolitana. Na ocasião, o piloto conseguiu sobreviver após acionar o sistema de paraquedas do avião.

Com as duas ocorrências desta sexta-feira, Minas Gerais volta a registrar acidentes fatais envolvendo aeronaves de pequeno porte, desta vez com quatro mortes confirmadas em um único dia.

As investigações deverão esclarecer separadamente o que provocou a queda do monomotor em Belo Horizonte e do bimotor da Polícia Militar no Vale do Aço. Até a última atualização desta reportagem, as causas dos dois acidentes ainda não haviam sido determinadas.

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