Queda de helicóptero mata piloto e três turistas colombianas no Rio de Janeiro

  • por Redação
  • Sunday, 09 de August de 2026
Aeronave caiu em uma área de mata de difícil acesso na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista; quatro ocupantes morreram e helicóptero estava com documentação regular, segundo registros da Anac.(Foto: Bombeiros / RJ)

 

Um passeio turístico de helicóptero terminou em tragédia na manhã deste sábado (8), no Rio de Janeiro. Um helicóptero Robinson R44 caiu em uma área de mata próxima à Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, dentro do Parque Nacional da Tijuca. As quatro pessoas que estavam a bordo morreram.

Entre as vítimas estão o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas da mesma família: Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, de 37, e Sofia Murillo, de 17 anos. Rocio era avó de Sofia e Wendy era mãe da adolescente.

O Corpo de Bombeiros foi acionado às 11h11. A aeronave foi localizada pelo Grupamento de Operações Aéreas em uma região de mata fechada, íngreme e com pontos de difícil acesso. Após a queda, houve incêndio na vegetação e no próprio helicóptero. As chamas foram controladas pelos bombeiros.

Cerca de 40 militares, 11 viaturas e quatro unidades operacionais participaram da operação de atendimento. O acesso ao ponto onde estavam os destroços exigiu equipamentos de segurança devido à inclinação do terreno e à existência de áreas de difícil acesso.

Aeronave era um Robinson R44

O helicóptero envolvido no acidente era um Robinson R44, modelo utilizado para transporte de passageiros, instrução e voos panorâmicos. A aeronave tinha o prefixo PP-MFS e pertencia à empresa Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP).

De acordo com informações do Registro Aeronáutico Brasileiro divulgadas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o helicóptero foi fabricado em 2001 e estava com a situação regular. O certificado de aeronavegabilidade estava válido até junho de 2027, e a aeronave possuía autorização para realizar voos panorâmicos.

O Robinson R44 possui aproximadamente 11,65 metros de comprimento e capacidade para quatro ocupantes. A velocidade máxima é de cerca de 240 km/h e a autonomia pode chegar a aproximadamente 550 quilômetros, dependendo das condições de operação.

A regularidade documental da aeronave, no entanto, não permite concluir que não havia problemas mecânicos ou operacionais. Essas questões ainda serão analisadas durante a investigação do acidente.

Passeio era turístico

As três colombianas estavam no Rio de Janeiro durante uma viagem de férias. Segundo informações divulgadas após o acidente, elas haviam contratado um passeio panorâmico de helicóptero, com duração prevista de aproximadamente 20 minutos e roteiro sobre pontos turísticos da cidade e da Floresta da Tijuca.

As passageiras pertenciam à mesma família. Rocio Cubillos era avó de Sofia Murillo, enquanto Wendy Manrique era mãe da adolescente.
O voo tinha como cenário alguns dos principais cartões-postais do Rio de Janeiro. A região da Vista Chinesa é conhecida pela vista da cidade e fica dentro do Parque Nacional da Tijuca.

Quem era o piloto

Alessandro Rocha era o piloto responsável pelo voo. Informações divulgadas a partir de publicações feitas por ele nas redes sociais indicam que tinha mais de 20 anos de experiência com helicópteros e ultraleves e também atuava na instrução de pilotos.

Segundo informações da polícia, Rocha era casado e tinha dois filhos pequenos.
Até o momento, não foram divulgadas informações oficiais que apontem irregularidade na habilitação do piloto ou que relacionem sua experiência profissional a uma possível causa do acidente. Esses aspectos também serão analisados durante a investigação.

Todos os quatro ocupantes morreram em decorrência do acidente. A perícia foi acionada para os procedimentos de identificação e liberação dos corpos. O helicóptero caiu durante o voo na região da Vista Chinesa, em uma área de vegetação densa. A aeronave sofreu forte impacto e houve incêndio no local.

As equipes de emergência tiveram dificuldades para chegar aos destroços justamente por causa das características do terreno. O helicóptero foi localizado pelo Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros, que orientou as equipes em terra durante a operação.

Até o momento, as causas da queda não foram determinadas. Não há confirmação oficial de falha mecânica, problema com o piloto, alteração meteorológica ou qualquer outra hipótese específica.

A investigação deverá analisar os destroços, as condições da aeronave, os registros de manutenção, a documentação do voo, as condições meteorológicas, a experiência e habilitação do piloto, além de outros elementos que possam ajudar a esclarecer o que aconteceu.
Empresa ainda não divulgou nota pública localizada

Até a atualização desta reportagem, não foi localizada uma nota oficial publicada pela empresa Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP) com esclarecimentos detalhados sobre o acidente envolvendo o Robinson R44, prefixo PP-MFS.

A empresa deverá ser procurada para informar as circunstâncias do voo, o horário de decolagem, a rota prevista, as condições de operação da aeronave e eventuais procedimentos adotados antes da queda.

Essas informações poderão contribuir para esclarecer as circunstâncias do acidente, mas qualquer conclusão sobre as causas dependerá da investigação oficial.

Prefeitura do Rio cobra fiscalização dos voos panorâmicos

Após a queda, o prefeito em exercício do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, afirmou que pretende cobrar da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) uma fiscalização mais rigorosa dos voos panorâmicos realizados na cidade.

Cavaliere defendeu que sejam avaliadas as condições de operação desse tipo de serviço e afirmou que a Prefeitura pretende discutir medidas para aumentar a segurança dos voos turísticos.

A manifestação ocorre após a queda do helicóptero na região da Vista Chinesa e também diante de outro acidente envolvendo helicópteros ocorrido no Rio de Janeiro em junho.

A Prefeitura não atribuiu, até o momento, a causa do acidente a qualquer falha da aeronave, do piloto ou da empresa responsável pelo passeio.

Atuação no Parque Nacional da Tijuca

A região onde ocorreu o acidente faz parte do entorno do Parque Nacional da Tijuca, cuja gestão é de responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Antes do acidente, a Prefeitura do Rio e o ICMBio haviam firmado um acordo de cooperação para ampliar a atuação conjunta no parque, incluindo ações de conservação, infraestrutura e organização das áreas de grande circulação, como a Vista Chinesa.

O acordo prevê atuação integrada de estruturas municipais e tem duração de cinco anos. A Guarda Municipal também passou a ter previsão de atuação diária em pontos turísticos estratégicos do parque.

A parceria, entretanto, não tem relação direta estabelecida com a queda do helicóptero. As circunstâncias do acidente continuam sendo investigadas.

Investigação

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) iniciou os procedimentos para apurar o acidente. Investigadores do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio de Janeiro, foram mobilizados para os primeiros levantamentos.

A investigação do Cenipa tem como objetivo identificar os fatores que contribuíram para o acidente e produzir informações que possam evitar ocorrências semelhantes. A apuração não deve ser confundida com a investigação criminal, que ficará sob responsabilidade das autoridades policiais. A Polícia Civil também atua no caso, especialmente nos trabalhos de perícia e identificação das vítimas.

Anac confirma situação regular

Após o acidente, a Anac informou que a aeronave estava com certificado de aeronavegabilidade válido e possuía autorização para realizar voos panorâmicos, conforme os registros oficiais da aviação civil brasileira.

A confirmação afasta, neste momento, especulações de que o helicóptero estivesse voando com o certificado vencido ou sem autorização para realizar o tipo de operação.
Isso, no entanto, não significa que a aeronave estivesse livre de qualquer problema mecânico ou operacional. Essas questões ainda serão verificadas pelos investigadores.

Segundo acidente grave com helicópteros em menos de dois meses

A queda deste sábado ocorre menos de dois meses depois de outro acidente envolvendo helicópteros no Rio de Janeiro. Em 14 de junho, duas aeronaves colidiram no ar na região do Recreio dos Bandeirantes. O acidente deixou seis mortos.

Apesar da proximidade no tempo, os dois acidentes são ocorrências distintas e não há, até o momento, qualquer indicação oficial de relação entre eles.

Artigos Relacionados