Incêndio em fábrica de produtos químicos é extinto após 33 horas de combate em Itaquaquecetuba

  • por Redação
  • Thursday, 06 de August de 2026
Operação mobilizou quase 100 bombeiros na Grande São Paulo; órgãos oficiais detalham o combate, a situação documental da empresa e o retorno de moradores.(Foto: Theo Leite)

 

O Corpo de Bombeiros extinguiu totalmente, na madrugada desta quinta-feira (06), o incêndio que destruiu a fábrica da empresa Quema Química, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

O fogo começou na tarde de terça-feira (04) na Estrada do Bonsucesso, no bairro Rio Abaixo. A situação causou preocupação porque o local guardava aproximadamente 2 milhões de litros de líquidos inflamáveis, como tintas e solventes, distribuídos em 24 tanques principais.

Para vencer o incêndio, que durou cerca de 33 horas seguidas, as equipes trabalharam com uma força-tarefa de 95 profissionais divididos em três frentes de combate e utilizaram 40 viaturas no total da operação. A corporação não divulgou a quantidade exata de água usada, pois o combate direto ao fogo químico exigiu o uso de uma espuma especial para abafar as chamas, enquanto a água serviu para resfriar os tanques vizinhos.

Os trabalhos foram encerrados oficialmente no início da madrugada após a finalização do rescaldo, garantindo que não há mais risco de o fogo retornar. Como atualização do caso, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou que a licença de operação da fábrica venceu no dia 29 de junho. Como o pedido de renovação foi feito fora do prazo pelas regras ambientais, o documento perdeu a validade, embora a empresa não tivesse histórico anterior de irregularidades.

 

Em nota oficial, o Corpo de Bombeiros explicou que o incêndio apresentou alto grau de complexidade por envolver líquidos voláteis sob alta pressão. A corporação ressaltou que as equipes atuaram de forma estratégica para resfriar os reservatórios ao mesmo tempo em que aplicavam a espuma química para conter o oxigênio e abafar os focos mais violentos.

Os oficiais detalharam que o imóvel possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) em situação totalmente regularizada e válido até o ano de 2029. Além da atuação humana por terra, a tecnologia foi essencial no monitoramento: dois drones de alta capacidade da empresa Uavi foram integrados à operação.

As aeronaves não tripuladas deram suporte direto aos bombeiros do Grupo de Ações em Emergências e Desastres (GAED), mapeando os focos de calor em tempo real e descarregando aproximadamente 4 mil litros de água em apenas cinco minutos para abrir caminho e proteger as equipes em solo.

A Prefeitura de Itaquaquecetuba também se manifestou por meio de comunicado oficial, confirmando que enviou de imediato caminhões de abastecimento de água e equipes de Serviços Urbanos e da Defesa Civil para dar suporte logístico aos bombeiros.

O governo municipal reforçou o alerta de que a fumaça escura gerada pela queima dos solventes contém gases, vapores e partículas nocivas. A administração orientou os moradores que apresentarem irritação persistentemente nos olhos ou garganta, tontura, náusea ou falta de ar a procurarem uma unidade de saúde municipal sem demora.

O balanço logístico aponta que quatro veículos foram completamente queimados pelas chamas e explosões na via pública. Ao todo, a grande mobilização envolveu mais de 200 pessoas no perímetro do incidente. Desse total, cerca de 150 a 200 trabalhadores de indústrias adjacentes e moradores vizinhos foram evacuados preventivamente logo no início.

A administração pública também esclareceu a situação das famílias que precisaram deixar a área. Todas as pessoas evacuadas preventivamente dos arredores já retornaram para as suas casas de forma segura.

A prefeitura chegou a disponibilizar um abrigo emergencial no Centro de Convivência da Melhor Idade para receber os moradores, mas nenhuma família precisou utilizar o espaço, pois todos optaram pelo acolhimento temporário na residência de parentes. Por outro lado, as autoridades informaram que ainda não existe um cronograma exato com data ou horário definido para a liberação do trânsito.

A Estrada do Bonsucesso e todas as suas ruas adjacentes permanecem totalmente interditadas por tempo indeterminado, pois as pistas só serão abertas quando os técnicos descartarem riscos residuais de contaminação e de novas explosões nas galerias de esgoto.

Em relação ao prejuízo financeiro estimado, ainda não há um balanço oficializado pelas autoridades ou pela diretoria da Quema Química. O valor total das perdas estruturais, de maquinários e das toneladas de matérias-primas destruídas pelas chamas ainda está sendo contabilizado internamente e por empresas seguradoras.

O impacto financeiro visível inclui os quatro carros civis totalmente destruídos, as cerca de 30 tampas de bueiro arrancadas que precisarão ser recolocadas pelo município, além dos altos custos operacionais da mobilização das equipes e do uso intensivo de insumos caros, como a espuma química especial.

A empresa Quema Química, responsável pela fábrica atingida, foi procurada pelos veículos de imprensa desde o início do incidente, mas preferiu não emitir um posicionamento público oficial ou detalhar as possíveis causas do início do fogo até o encerramento do rescaldo. O espaço permanece aberto para as manifestações da diretoria da fábrica.

Durante a operação, as equipes conseguiram isolar as chamas, o que eliminou totalmente o risco de o fogo passar para outras empresas ou casas vizinhas. Felizmente, não há registro de pessoas mortas ou com ferimentos graves, e apenas um homem precisou de atendimento médico por sofrer uma convulsão decorrente da fumaça logo no início do incidente. O governo municipal pede que os motoristas evitem os arredores do bairro Rio Abaixo e usem caminhos alternativos.

Em relação aos serviços públicos, a Sabesp garantiu que a qualidade da água da cidade não foi afetada e que o abastecimento segue normal na região. Durante o incêndio, moradores se assustaram quando cerca de 30 tampas de bueiros estouraram e voaram nos arredores.

Isso aconteceu porque os produtos químicos escorreram para as galerias subterrâneas e soltaram gases com o calor, gerando explosões. A situação já foi totalmente resolvida pelas equipes de emergência.

A queima dos produtos químicos formou uma fumaça preta muito grossa que gerou uma nuvem em formato de cogumelo, vista até de cidades vizinhas, como Guarulhos.

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