Ancine concede registro a filme sobre Jair Bolsonaro

  • por Redação
  • Thursday, 27 de August de 2026
Aprovação preliminar da agência do governo impulsiona o documentário estrangeiro 'Dark Horse', que promete movimentar o cenário político e reacender debates em todo o país sobre a trajetória do ex-presidente.(Foto:Divulgação)

 

A  Agência Nacional do Cinema (Ancine) liberou a autorização inicial para a circulação no Brasil do filme "Dark Horse", um documentário estrangeiro que conta a história da vida pública e a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão da agência do governo representa um passo decisivo para os realizadores e acontece logo após a Polícia Federal analisar o projeto e concluir que não existem sinais de corrupção, desvio de dinheiro ou vantagens financeiras indevidas na criação da obra. Com o sinal verde das autoridades investigativas, o projeto ganhou força para seguir em frente

O registro foi concedido pela Ancine em 7 de agosto. O primeiro pedido havia sido apresentado em 22 de junho pela Unifilmes Distribuidora. Posteriormente, a Europa Filmes foi informada como responsável pela distribuição nacional e apresentou um novo requerimento em 3 de agosto. A produção foi registrada como ficção, tem duração de uma hora e 40 minutos e deverá receber no Brasil o título “O Azarão”. Até o momento, não há uma data oficial de estreia no país.

A concessão do ROE é apenas uma das etapas burocráticas. Para que o longa possa ser explorado comercialmente no Brasil, ainda será necessário obter o Certificado de Registro de Título (CRT). Segundo informações divulgadas nesta semana, a Europa Filmes ainda não havia solicitado o certificado. A obra também deverá passar pelo processo de classificação indicativa do Ministério da Justiça antes da exibição comercial nos cinemas.

O filme é dirigido pelo cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh e tem Jim Caviezel, conhecido internacionalmente por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, no papel de Jair Bolsonaro. A produção aborda principalmente a trajetória do ex-presidente e acontecimentos relacionados à campanha eleitoral de 2018, incluindo o atentado a faca sofrido por Bolsonaro durante um ato de campanha em Juiz de Fora, Minas Gerais.

O elenco divulgado também conta com Camille Guaty no papel de Michelle Bolsonaro, Marcus Ornellas interpretando Flávio Bolsonaro, Sergio Barreto como Carlos Bolsonaro e Edward Finlay no papel de Eduardo Bolsonaro. Mário Frias aparece entre os profissionais ligados ao roteiro e à produção executiva. Eduardo Bolsonaro também é relacionado como produtor executivo da obra.

A provação da Ancine funciona como uma autorização temporária e funciona como uma etapa de preparação, o que significa que o filme ainda precisará passar por uma validação final antes de estrear em definitivo nas telas brasileiras. Esse tipo de análise é comum para produções feitas fora do país e serve para garantir que todas as regras de funcionamento do mercado nacional de cinema sejam cumpridas.

Mesmo sendo um passo inicial, a notícia foi recebida como uma vitória pelos produtores, que agora têm caminho livre para negociar como e onde o filme será exibido. A expectativa em torno do lançamento é grande, e o anúncio da liberação provisória já começou a movimentar as redes sociais e os bastidores políticos. Por se tratar de uma figura que divide opiniões, o documentário promete colocar o nome de Jair Bolsonaro novamente no centro das atenções e das discussões públicas no Brasil. Analistas apontam que a produção deve atrair tanto a curiosidade de apoiadores quanto o olhar atento de críticos, gerando debates intensos sobre a forma como a história recente do país será retratada pelos produtores estrangeiros.

Apesar do avanço no processo de registro, Dark Horse está cercado por investigações que envolvem a produtora Go Up Entertainment e o financiamento do projeto. A Polícia Federal apura o caminho percorrido por recursos que podem ter relação com a produção e aguarda dados obtidos anteriormente pela Polícia Civil de São Paulo.
Na segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a acessar informações de uma investigação da Polícia Civil paulista envolvendo a Go Up Entertainment. O pedido da PF busca aprofundar a apuração sobre recursos destinados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora do filme.

Uma das frentes envolve R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas ao instituto. Entre os parlamentares citados nas apurações está o deputado federal Mário Frias (PL-SP). A investigação procura esclarecer se houve desvio de finalidade na utilização desses recursos e se alguma parcela pode ter chegado à produção cinematográfica. Frias nega que recursos destinados por ele tenham sido utilizados no filme e sustenta que as verbas foram direcionadas a projetos sociais.

Outra investigação está relacionada ao Instituto Conhecer Brasil e a um contrato de aproximadamente R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos gratuitos de internet em comunidades. Karina Ferreira da Gama está ligada tanto ao instituto quanto à produtora responsável pelo longa.

A Polícia Civil passou a apurar se recursos relacionados ao contrato público poderiam ter sido direcionados a outras finalidades, incluindo eventualmente a produção do filme. A Prefeitura de São Paulo afirmou anteriormente não ter identificado irregularidades e declarou que os serviços previstos estavam sendo prestados.
Nesta quinta-feira (27), uma nova frente envolvendo uma entidade presidida por Karina ganhou repercussão.

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para investigar possíveis irregularidades no repasse de R$ 3,5 milhões da Prefeitura paulistana para a feira gospel The Connect Faith, realizada em 2025 pela Academia Nacional de Cultura. A investigação é distinta, mas amplia o escrutínio sobre organizações relacionadas à produtora de Dark Horse.

O financiamento do filme também se tornou uma questão política após a divulgação de conversas entre o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Flávio confirmou ter buscado financiamento privado para o projeto e negou qualquer irregularidade ou contrapartida relacionada aos recursos.

As investigações apuram repasses atribuídos a Vorcaro que teriam chegado a R$ 61 milhões. A Polícia Federal busca esclarecer a origem, o destino e a efetiva utilização do dinheiro. Informações divulgadas nesta semana apontam ainda para um aporte de US$ 13,4 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 75 milhões na conversão apresentada nos documentos, por meio do fundo norte-americano Havengate. A origem detalhada de todos os valores e as despesas correspondentes ainda são objeto de questionamentos e investigações.

A produtora sustenta que o longa foi financiado com recursos privados. Flávio Bolsonaro também afirma que não houve utilização de dinheiro público no financiamento da obra e que não praticou qualquer irregularidade ao procurar investidores para um projeto privado sobre a história de seu pai.

Além das investigações financeiras, a própria Ancine mantém um processo administrativo relacionado às filmagens. A agência apura o fato de uma produção considerada estrangeira ter realizado gravações no Brasil sem a comunicação prévia exigida pelas normas do setor audiovisual. O procedimento poderá resultar em sanções caso sejam confirmadas irregularidades.

Com o ROE concedido, Dark Horse avança no caminho para ser exibido oficialmente no Brasil, mas ainda depende do CRT e da classificação indicativa. Ao mesmo tempo, as diferentes investigações continuam tentando esclarecer de onde vieram os recursos utilizados na produção e se houve participação de dinheiro público. Até a conclusão desses procedimentos, suspeitas sob investigação não podem ser tratadas como irregularidades definitivamente comprovadas.

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