Colômbia consolida guinada à direita na América Latina com eleição de Abelardo de la Espriella

  • por Redação
  • Sunday, 21 de June de 2026
O advogado conservador e outsider político vence o segundo turno em disputa acirrada contra o governista Iván Cepeda e reconduz a direita ao poder após o ciclo progressista de Gustavo Petro.(Foto: Divulgação)

 

A Colômbia confirmou uma histórica mudança em suas diretrizes políticas com a vitória de Abelardo de la Espriella no segundo turno das eleições presidenciais.

O candidato da coalizão Defensores de la Patria superou o senador de esquerda Iván Cepeda por uma margem estreita de votos na apuração preliminar.

A apuração oficial, que alcançou a marca de 99,65% das mesas processadas, registrou 49,65% para o líder direitista contra 48,70% para o representante do Pacto Histórico.

Este resultado sela o retorno das forças conservadoras ao Palácio de Nariño após quatro anos de gestão de Gustavo Petro, o primeiro mandatário de esquerda na história recente do país, cuja constituição local proíbe a reeleição imediata.

A ascensão de Abelardo de la Espriella, um advogado criminalista e empresário de 47 anos sem experiência prévia em cargos eletivos, foi impulsionada por uma forte plataforma anti-establishment.

Apelidado de "El Tigre", o presidente eleito baseou sua estratégia eleitoral em propostas de linha dura contra o crime organizado, na promessa de construção de megapresídios e no encerramento definitivo das negociações de paz com grupos guerrilheiros dissidentes.

Além disso, seu programa de governo foca na redução do tamanho do Estado em até 40%, em cortes tributários para empresas e no estímulo à exploração de petróleo e gás.

O cenário de segurança pública desempenhou um papel central na decisão do eleitorado colombiano. Mesmo com os esforços e operações militares do atual governo, o país enfrentou um recrudescimento da violência interna provocada por disputas entre facções criminosas e dissidências das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

O assassinato do candidato conservador Miguel Uribe e episódios frequentes de extorsão urbana minaram a candidatura governista de Iván Cepeda.

Cepeda tentou ancorar sua campanha na continuidade das reformas sociais e no reajuste do salário mínimo promovidos por Petro, mas acabou herdando o desgaste político da atual gestão no âmbito da ordem pública.

Geopoliticamente, o triunfo de De la Espriella realinha a Colômbia com a onda conservadora que avança pela América Latina, aproximando o país de lideranças como Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador.

Cidadão americano naturalizado e apoiado publicamente por Donald Trump, o novo mandatário promete estreitar radicalmente os laços de segurança e cooperação econômica com Washington.

A mudança enfraquece o bloco de articulação progressista mantido nos últimos anos entre Bogotá, Brasília e México, redesenhando as alianças e dinâmicas diplomáticas de todo o continente sul-americano.

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